Gosto do Dia dos Namorados, sempre gostei, mesmo naqueles anos em que passo a data “sozinha”. Não me importo que digam que é uma jogada comercial, tampouco me importam pressões e cobranças sociais, apenas acho… bonitinho.
Não que seja, para mim, uma data de suma importância. Não espero nada, não me preparo, normalmente não planejo. Apenas… acho bonitinho.
Talvez porque eu tenha boas lembranças relacionadas ao dia.
Recordações de momentos fantásticos, “solteira” acompanhada de amigos “solteiros”, noite gelada ao ar livre, vinho tinto barato, tábua de queijos, cobertores e muitas gargalhadas.
Boas recordações também em dias de estar acompanhada de apenas uma pessoa. Neste ponto eu me considero uma garota de sorte. Sempre tive namorados que gostavam de me mimar, com gestos e presentinhos dos mais simples, singelos e sensÃveis aos mais sacrificados, desses caras que têm a manha de fazer com que a mulher se sinta uma rainha, sabe? Já tive momentos de ser surpreendida ao ponto de pagar o mico de chorar de emoção.
Lembranças. Tolices.
Luminha é um ser desprezÃvel. Ela desdenha da melosidade do romantismo alheio, chama-o piegas, mas é, ela mesma, uma babona romântica. Das piores. Das mais bananas.
E de repente parece uma tolice tão boa sorrir sozinha, na madrugada silenciosa…
***
Acordei de repente, me sentindo engasgada. Uma bolota de carne imaginária entalada na garganta, a testa pipocada de gotÃculas de suor. Olhei ao redor, peguei o celular: 6h da manhã. A claridade do dia já começava a invadir o quarto pela janela e, sentada sobre minha barriga, Nickie me olhava estranho. Se incomodada pelo sono interrompido ou se sabia que algo não estava bem, não sei. Só sei que olhar para ela, perto de mim, sempre presente, carinhosa e companheira, em todos os momentos, me faz bem.
Nickie é um anjinho que sempre está ali, para me dar um cheirinho na ponta do nariz e me fazer sorrir, mesmo quando estou triste.
Não que eu estivesse triste, na verdade nem mesmo sei dizer exatamente porquê acordei daquela maneira. Não me lembro com o que estava sonhando, não me lembro em que estava pensando quando adormeci, mas me lembro de estar com a cabeça muito cheia e o peito sufocado.
Alguns segundos para decidir se voltaria a dormir para aproveitar a hora que ainda me restava e meus olhos encontaram o rascunho do post que eu havia passado a noite toda tentando escrever…
Uma vez me disseram que as palavras têm vida própria, que não adianta a gente querer escrever o que não condiz com o que a gente sente. Talvez por isso, às 4h da manhã eu tenha desistido de tentar concluir um texto que teimava em seguir seu próprio caminho. Um texto, que com a minha teimosia, já alcançava 6 páginas manuscritas e nem de longe se parecia com o que eu pretendia.
Eu só queria escrever alguma coisa mimimi sobre o dia dos namorados…
… e o Ãmpeto de acrescentar divagações, desabafos, lembranças, indignações, declarações, metáforas, linhas e entrelinhas foi grande demais para que eu pudesse controlar…
… este mesmo texto que você vê aà em cima, em versão incongruentemente resumida e censurada.
O devaneio completo vai ficar guardadinho, escondido e camuflado. A versão decepada fica aqui, simplesmente porque não consegui me desapegar dela.
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento…
Cássia Eller - Palavras ao Vento
Composição de Marisa Monte e Moraes Moreira
Estou precisando reencontrar o meu eixo. Sério.
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