Livro: Infiel, de Ayaan Hirsi Ali

Infiel é a autobiografia de Aayan Hirsi Ali. Nascida em 1969 na Somália, filha de um revolucionário que se opunha ao regime de governo de Siad Barre, ela foi obrigada a se exilar do país com sua família quando ainda criança indo se estabelecer na Arábia Saudita, depois na Etiópia e mais tarde no Quênia. Já na idade adulta, recusou-se a aceitar um casamento arranjado pelo pai e fugiu para a Holanda, onde conseguiu asilo político e o status de refugiada. Lá, trabalhou como tradutora, entrou para o curso de Ciências Políticas na Universidade de Leiden, ingressou no Partido Trabalhista Holandês e começou a ganhar visibilidade com artigos que criticavam severamente o islamismo. No ano de 2002 foi convidada a integrar o Partido Liberal e foi eleita deputada no ano seguinte.
Ayaan ganhou reconhecimento levantando a bandeira da luta pelo igualitarismo e pelos direitos da mulher, fazendo duras e polêmicas críticas ao islamismo, sobretudo aos costumes de servidão e violência doméstica a que são submetidas as muçulmanas. Em 2004, em parceria com Theo Van Gogh – um controverso cineasta, também crítico do Islã – ela fez um filme chamado “Submissão”, sobre a opressão da mulher na cultura islâmica. O filme aferventou a ira dos fundamentalistas e rendeu várias ameaças de morte, obrigando Ayaan a abandonar o país e restringir a sua circulação. Ayaan Hirsi Ali foi considerada, pela revista Time, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Não nego que possa ter sido influenciada por modismos, mas é fato que me interesso muito por livros relacionados aos costumes e o cotidiano nos países islâmicos. Talvez por isso as histórias de O Livreiro de Cabul, de Åsne Seierstad e Persépolis, de Marjane Satrapi, só para citar alguns exemplos, estejam entre as leituras que mais me marcaram e este seja sempre um tema que procuro nas prateleiras das livrarias.
Para quem também se interessa, “Infiel” vale a recomendação.
A infância e a adolescência de Ayaan na condição de exilada permitiram que sua biografia nos trouxesse descrições de costumes e tradições em diferentes países ainda tão exóticos para os ocidentais, além de um interessante testemunho do processo de crescimento e difusão do fundamentalismo islâmico. A vida da autora – que teve o clitóris mutilado quando tinha apenas 6 anos de idade, cresceu sob uma educação que lhe ensinava a se rebaixar em nome de tradições primitivas, sofreu espancamentos e humilhações, mas decidiu não baixar a cabeça – é, para muitas pessoas, exemplo de coragem e luta.
Minha principal reserva fica por conta do tom exageradamente romântico, até ingênuo, com que a autora descreve o mundo ocidental, especialmente nos aspectos relacionados a direitos individuais, igualdade entre os sexos, liberdade sexual e democracia. A visão que ela nos apresenta dá a entender que nos países do ocidente, em posição totalmente oposta aos países de origem e costumes islâmicos, tudo isso funciona sobre perfeição imaculada. Eu não penso assim, e você?
Infiel
Ali, Aayan Hirsi
- Título em inglês: Infidel
- Categorias: autobiografia
- Avaliação:
























