A vida continua

Meu pai faleceu há pouco mais de um mês e desde então tudo por aqui ficou muito confuso. Essa mistura bizarra de dor, ausência, saudade, gratidão, vontades, obrigações, responsabilidades, compromissos e a necessidade quase desesperada de continuar seguindo em frente – por causa e apesar de tudo – consome os dias com sede ávida, rápido demais para eu me dar conta, lento demais para quem precisa da ajuda do tempo para encontrar a serenidade. A noção das horas é algo que simplesmente deixou de existir.

Escrevi muito durante todos esses dias, consumi em páginas do meu diário o suficiente para as anotações de muitos meses. E eu quis escrever alguma coisa aqui também, procurei por todas as palavras certas e suficientemente boas, por aquelas que comporiam a mais bela homenagem e conseguiriam descrever o que eu estava (e ainda estou) sentindo, somente para acabar descobrindo que nada disso existe. As palavras certas não existem, nem mesmo as suficientes.

Por fim decidi não publicar nada. É pessoal demais. É a minha dor e eu a quero para mim. Ponto.

A vida continua. Inevitável. Cliché, um pouco triste, às vezes cruel, mas estou aprendendo que esta é uma grande – e necessária – verdade. Não importa a força da bofetada, não importa o tamanho da dor, as contas continuam vencendo, os prazos se esgotando e quando consigo desanuviar os olhos e o coração sei que os dias seguem nascendo coloridos. A vida continua mesmo que eu não esteja participando dela, então tudo o que tenho que fazer é escolher: participo?

Ainda não sei muito bem aonde estou, nem para onde vou. De repente tenho que me preocupar com centenas de “novas” responsabilidades e tudo o que eu fazia antes desse chacoalhão ficou parado: meus artesanatos continuam exatamente no lugar em que estavam há quase 2 meses, nunca mais abri meu Google Reader, os e-mails se acumulam sem resposta na caixa de entrada, os blogs já estão cobertos de teias de aranha, meus projetos estão todos desatualizados. Eu preciso e quero retomar minhas atividades, o ritmo dos meus trabalhos, meus hobbies. Sei que preciso me reencontrar dentro de minha própria rotina e farei isso devagar… Quem tem pressa, afinal? Sigo caminhando.

Eu já estava quase publicando o post quando o shuffle do iPod me trouxe esta música. Coincidência ou não, uma boa trilha sonora:

Creed – Don't Stop Dancing

(Composição: Stapp/Tremonti)

At times life is wicked and I just can't see the light
A silver lining sometimes isn't enough
To make some wrongs seem right
Whatever life brings
I've been through everything
And now I’m on my knees again

But I know I must go on
Although I hurt I must be strong
Because inside I know that many feel this way

Children don't stop dancing
Believe you can fly
Away… away

At times life's unfair
And you know it's plain to see
Hey God I know I'm just a dot in this world
Have you forgot about me?
Whatever life brings
I've been through everything
And now I'm on my knees again

But I know I must go on
Although I hurt I must be strong
Because inside I know that many feel this way

Chilldren don't stop dancing
Believe you can fly
Away… away

Am I hiding in the shadows?
Forget the pain and forget the sorrows

But I know I must go on
Although I hurt I must be strong
Because inside I know that many feel this way

Children don't stop dancing
Believe you can fly
Away… away

Am I hiding in the shadows?
Are we hiding in the shadows?

Creed - Don't Stop Dancing

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