Persépolis

Pôster: Persépolis

Eu já havia comentado alguma coisinha a respeito aqui no blog há alguns dias, ainda não consegui ler os quadrinhos mas tive a deliciosa oportunidade de assistir à animação: valeu a pena, é muito bom!

Persépolis é um longa baseado nos quadrinhos autobiográficos de Marjane Satrapi, uma garota iraniana vinda de uma família de intelectuais de esquerda e ativistas políticos, que cresceu testemunhando - e vivendo - fases de profundas transformações políticas e sociais no Irã.

A história, contada em flashback, começa em 1978 no Teerã. Marjane, então com 9 anos de idade, é uma garota esperta e cheia de idéias, que sonha em ser a profetisa que irá salvar o mundo. Precoce, ela acompanha avidamente as manifestações da população contra o Xá Reza Pahlavi e o seu violento governo, tomando conhecimento, pouco a pouco, das barbaridades que acercam aqueles que fazem voz contra o regime. Incoerentemente, o sucesso da revolução e a queda do Xá, acabam por restringir ainda mais a liberdade da população, quando entra em cena a era dos aiatolás no país e logo em seguida o conflito com o Iraque. Meninas são proibidas de aparecer em público se não estiverem cobertas dos pés à cabeça e uma rigorosa repreensão a tudo que possa lembrar o estilo de vida ocidentalizado entra em vigor. Em meio a este panorama tumultuoso é que Marjane começa a formar opiniões e se descobrir como mulher, sentindo o peso da responsabilidade de alguém - uma mulher - que “escolheu pensar”.

O longa trata dos conflitos internos da personagem principal sem deixar de fora os fatos externos que compõe o ambiente em que ela vive. A revolução islâmica, conflitos armados, traumas de guerra e tortura, desparecimentos, repressão cultural e de pensamento. Fica claro, durante todo o filme, que a personalidade de Marjane é fortemente construída com base nos preceitos de seus pais e sua avó, que nunca lhe escondem nada e respeitam sua opinião. A coragem e força da menina tomam ares de rebeldia quando ela chega à adolescência, ao mesmo tempo em que o ambiente em que vivem torna-se cada vez mais repressivo e perigoso. Seus pais decidem, então, mandá-la para Viena, onde esperam mantê-la em segurança. É nesta fase que Marjane vive seus maiores conflitos internos.

Longe de seguir a trilha das animações atuais - ecos insistentes de maçantes prosopopéias que já não têm nada de novidade, onde a criatividade parece ter perdido espaço para uma competição acirrada de pretensas técnicas de última geração 3D e o enredo só serve mesmo com pretexto para a exibição dos tais efeitos alcançados - Persépolis nos conta a história de um jeito simples e, por isso mesmo, cativante. Uma história dramática sem exageros apelativos. Embora mantenha sempre um clima sombrio, o longa consegue ser ao mesmo tempo ousado e encantador. O desenho, não tridimensional, em preto-e-branco carrega, mesmo na simplicidade dos traços grossos e arredondados, no cenário chapado, sutilezas que fazem toda a diferença na absorção da idéia, que marcam o sarcasmo, que nos fazem abraçar a causa. Uma animação envolvente, que traz o espectador para dentro de seu ritmo e sua história.

Persépolis

Persepolis, 2007

  • Direção: Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
  • Origem: França
  • Gênero: Animação / Drama
  • Elenco Principal (vozes): Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes, François Jérosme
  • Site oficial: http://www.sonypictures.com/classics/persepolis/
  • Avaliação: ★★★★★

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