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A febre tem o poder de acelerar minhas atividades mentais. Ou, então, causam alucinações que me dão esta impressão.

É quando estou ali, encolhida e tremendo debaixo de casacos pesados, com o rosto em brasa, vermelho e inchado, os cabelos desgrenhados e medonhas olheiras azuis sob os olhos, o momento em que tenho as melhores idéias, as grandes inspirações, as resoluções para todos os problemas da minha vida. Em ritmo alucinado. Tudo de uma vez.

Pena que tudo isso desapareça à medida em que o paracetamol faz efeito e que eu nunca encontre forças para anotar o que passa pela minha cabeça nessas horas…

Frustrante isso. A temperatura cai e eu fico me sentindo a pacata cidadã que só funciona quando está com o corpo quente (sem interpretações dúbias, por favor!).

Um mal-estar cabuloso deste domingo. Enxaqueca forte, dores pelo corpo, fadiga, tontura, falta de apetite. E febre. A tal febre. A alucinógena.

Luminha no hospital. Espetaram-me, tiraram meu sangue, fizeram-me urinar no potinho.

Nada muito grave foi detectado até agora, o “princípio bem no comecinho” de uma infecção nos rins, que segundo o médico vai se resolver com alguns dias de antibiótico.

A febre continua. Indo e vindo.

E Luminha segue, alternando seus momentos de brilhantismo febril, com aqueles carregados da mais pura sensação de infrutífera lucidez…

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