Para quem você escreve?

Este meme já circula por aí há algum tempo, cheguei a ler outros posts relacionados, mas só decidi mesmo escrever quando comentava o post da Lu no Dia de Folga. Em tempo: enquanto escrevia o comentário eu me toquei de que estava alongando demais as divagações pessoais e, se eu tinha tanto a dizer (será?), achei melhor aderir de uma vez ao meme, ao invés de ficar abusando de espaço alheio para ficar falando de mim. Certo?

Eu acredito que para responder a pergunta teria que, em primeiro lugar, ser muito sincera comigo mesma, ainda que as conclusões não me agradassem ou soassem pouco gentis com meus leitores.

Nunca escrevi pensando nos chamados “paraquedistas”, tanto é que a maioria sai fora rapidinho assim que percebe que aqui não vai encontrar nada do que procura. Preciso citar, por exemplo, o aumento no volume de perdidos que aterrisaram aqui depois que escrevi um post comentando o livro “Memórias de minhas *p-u-t-a-s* tristes”, do Gabriel García Marquez?

Se escrevo sobre algum “hype” é porque realmente quero fazê-lo, porque gostaria de dizer algo, não busco aumento nas visitas com isso. Deixo claro que de maneira nenhuma condeno quem o faz, pelo contrário, admiro quem sabe fazer direito e ter bons ganhos com isso, em especial aqueles que além de tudo conseguem ser interessantes. Apenas não é minha praia, ou talvez eu não tenha competência nenhuma para seguir este caminho e viver do que eu escrevo.

Sim, eu exibo anúncios aqui no blog. Um dia eu tomei conhecimento desse tipo de programa de afiliação, soube que não me traria custos extras e se houvesse algum retorno, por mínimo que fosse, os troquinhos me ajudariam a pagar a hospedagem. Por quê não tentar? O retorno desses anúncios aqui no LK.net é mesmo ínfimo, mas como meu blog não consome muito espaço, nem muita banda, tá valendo. Simples assim.

Escrevo para quem, então? Se for para pensar mesmo a fundo, talvez a verdade seja a de que, aqui no blog, eu escreva é para mim mesma…

É claro que eu fico felicíssima quando vejo que o número de visitantes está aumentando, mais ainda quando vejo isso acontecendo com o número de assinantes dos feeds. Então eu me empolgo, tenho mais vontade de escrever (e me cobro cada vez mais quanto a isso), procuro mais assuntos e tomo mais cuidado com cada vírgula. Pensando nos leitores é que escrevo, reescrevo, leio, releio e reflito sobre tudo o que publico. Quando digo que escrevo para mim não estou de maneira alguma menosprezando os leitores, ocasionais ou fiéis, do meu humilde cantinho, apenas cheguei a esta conclusão quando me questionei sobre a que tipo de leitores podem interessar textos às vezes tão egocêntricos, tão pessoais, tão… tão “diarinhos”… Sim, eu tenho consciência e admito, meu blog é um egolog. E um “egolog” é escrito para quem?

Meu blog é e sempre foi, desde os primórdios de sua existência em meados de 2002, um blog pessoal. E começou mesmo como um blog totalmente “diarinho-adolescente” (embora na época eu não fosse mais uma adolescente, enfim…), quase beirando um “blog-miguxo”. Eu disse, quase, calma-lá, nunca fui adepta de fazer do blog um porta-penduricalhos cheio de gifs coloridos, piscantes, pulantes e brilhantes, sem absolutamente nada a dizer, nem do “miguxês”. Basta dar uma espiadinha nos meus posts mais antigos para ver como eram as coisas.

Em pouco mais de 5 anos o blog passou por diversas fases. Ele deixou de ser tão detalhista quanto a pormenores do meu cotidiano, teve momentos totalmente voltados a desabafo e choramingos, passou por períodos de acúmulo de teias de aranha, já foi porta post-its, porta-recados, porta-inutilidades, mas nunca foi premeditado, nem nunca deixou de ser reflexo da minha própria vida, meu estado de espírito e minhas fases.

Blogar para mim é um hobby e uma terapia. Ferramenta de registro, de auto-conhecimento e, abrindo o livro de confissões: tentativa de fazer algo contra o meu medo egoísta e infantil de passar por esta vida sem que ninguém nunca tenha tido conhecimento da minha ordinária existência. Mas além de tudo isso, é também um meio de interação, troca de idéias, de experiências e opiniões, uma fantástica maneira de conhecer pessoas interessantes!

Pois, resumindo toda a lenga-lenga, é isso: eu escrevo para mim mesma, e sempre, pensando nos meus leitores!

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