Mais um baque na família Kimura

Minha avó

Na quinta-feira pela manhã um telefonema nos trouxe a notícia de que minha a vó, mãe de meu pai, havia sido hospitalizada. ela já não estava bem há bastante tempo. Diabética, ela sofria de várias complicações e depois da morte de minha tia Cecília 2 meses atrás as coisas estavam se complicando, mas de verdade ainda não sabíamos o real estado dela.

Minha família e eu decidimos ir para São Paulo assim que resolvêssemos algumas pendências por aqui. A idéia era fazer uma visita a ela no hospital, depois voltar para cá. Só meu pai foi preparado para ficar lá e ajudar no que fosse necessário.

Só conseguimos sair daqui de Indaiatuba por volta das 17h, pegamos congestionamento pesado na Marginal Tietê, hora do rush, chegamos ao hospital às 21:10h. O horário de visitas se encerrava às 21h!! Soubemos que minha avó havia piorado e tinha sido transferida para a UTI. Pouco tempo depois, recebemos a notícia de seu falecimento…

Noite muito fria. Os termômetros pela cidade marcavam 7°, 8° C. Engraçada a maneira como o frio mais intenso tem se feito presente nestes últimos episódios da história da família Kimura…

Como nem podia deixar de ser, para ninguém foi uma noite fácil. Os trâmites burocráticos, as providências para o velório e o enterro, o trabalho de avisar os parentes - a maior parte em outros estados ou no Japão - estenderam-se madrugada adentro. Eu nem sei dizer a que horas fui para cama, pernoite ali mesmo, na casa onde minha avó morava com minha tia Maria. Sem jantar, com a roupa do corpo e a sensação de nem sequer saber o que deveria estar sentindo naquela hora. Não consegui dormir nada: agitação demais, muito frio e um telefone que não parava nunca de tocar. Levantei pela manhã de péssimo humor, cansada e zonza porque também não havia dormido na noite anterior, com enxaqueca e o estômago doendo.

Meus pais passaram a madrugada velando o corpo no Cemitério de Congonhas e pela manhã fomos nos juntar a eles. O enterro foi às 16h.

Mais uma vez não sei dizer o que sinto, o que passa pela minha cabeça, o que dizer nesta situação. Era a minha única avó viva, não posso dizer que era extremamente próxima a ela até por barreiras de linguagem: ela não falava português embora já estivesse no Brasil desde os 12 anos de idade. Mas era uma figurinha da qual sempre tive uma imagem particular. Talvez, de certa forma, a família toda já estivesse um pouco calejada, seja pelo estado em que ela se encontrava, seja pelo baque recente com a morte de minha tia. Ainda tem muita coisa a ser feita, minha tia Maria agora ficou sozinha em uma casa que para as duas já era grande e talvez se mude. A vida dela era cuidar de minha avó. O que muda realmente daqui para frente, na vida dela e de toda a família, só o tempo irá dizer…

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