Gatos, gatos, gatos

Eu AMO gatos, mas gata no cio se esguelando bem na janela do quarto durante a madrugada é o ó! E minha janela deve ter a maior pinta de motel felino porque não adianta enxotar, poucos minutos depois o berreiro recomeça. Há 3 noites não durmo direito.

Minha bebezinha foi castrada quando tinha uns 5 meses de idade e chegou a entrar no primeiro cio. O comportamento muda, o miado muda, o jeito de andar muda. Ela não fez tanto escândalo pelas noites da vizinhança (pequenas doses de maracujina funcionaram bem com ela), mas é uma fase complicada. A veterinária me jurou que ela não sofria, mas convenhamos, esses miados que mais parecem um bebê se contorcendo de dor de barriga são de cortar o coração. Sem contar que mantê-la presa dentro de casa para evitar maiores surpresas exigia um empenho master da família toda.

O pós-cirúrgico é o mais sofrido. Para ela e para nós. Eu me desesperava vendo a pobrezinha querendo se levantar, ainda zonza pelo efeito dos sedativos, tombando no chão, trançando as perninhas, tentando se equilibrar com aquele “abajur” no pescoço (como é mesmo o nome oficial dessa coleira?). Cada vez que ela ameaçava recomeçar seus pulos eu me lembrava de todas aquelas histórias sobre “intestinos para fora” de gatos que não páram quietos e rompem os pontos antes da cicatrização. Apesar de tudo fiquei impressionada com a capacidade de adaptação desses bichinhos. A Nickie teve que usar o tal “abajur” por cerca de 2 semanas e no final já estava tão bem adaptada que era como se ela tivesse usado o apetrecho a vida toda. Brincava, corria, comia, caçava, dormia. E nem reclamou tanto assim. Nickie é uma dondoca educada.

Mas todos esses problemas passaram, minha princesa está totalmente recuperada, não se vê nem mesmo sinais de cicatrizes na barriguinha dela, o trauma de receber cafuné na região do corte foi superado e eu vejo que valeu a pena. Ela ficou realmente mais caseira, mais tranquila, engordou um bocadinho, mas não deixou de ser brincalhona e carinhosa. A cada dia mais linda, mais esperta e mais amada. E eu, não preciso mais me preocupar com estas fases de cio e toda a trabalheira que envolve. Por que é que uma gata “alheia” precisa vir fazer auê na minha janela? O mais engraçado é que a Nickie nem se altera… dorme profunda e tranquilamente enquanto eu tento me esconder debaixo do travesseiro na esperança de abafar um pouco a “miação descontrolada” do lado de fora…

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