Escrevendo apenas

Escrevi. Escrevi, escrevi, escrevi. Escrevi tantas cartas, testamentos, desabafos, lamúrias e choraminguelas quanto minhas mãos trêmulas foram capazes. Minha válvula de escape. Escritos que passaram por todas as fases possíveis para um período tão curto, partindo do choque à catatonia. Palavras que jamais serão publicadas e não têm mesmo qualquer outro fim, senão o descarrego.

É engraçado pensar que, sim, eu teria publicado muita coisa por impulso, no auge da emoção, com o coração em frangalhos de uma raiva ainda não totalmente dominada, mas não o fiz unicamente porque - sei-lá-porque-cargas-d’água - meu blog teve um aumento tão significativo nas visitas dos últimos dias que excedeu o limite de tráfego do mês e ficou fora do ar. Resumindo: estava sem acesso enquanto não pudesse entrar em contato com meu “hospedeiro”. Melhor assim. Eu teria me arrependido, não seriam palavras minhas, mas de uma Luma “paralela” e descontrolada.

Um fim de semana estranho. Comecei agindo paulatinamente e com cautela porque sabia que uma fase importante estava para começar, mas o choque de topar com um “importante” que se revelou justamente o oposto do que acreditei, chegando a um extremo a que jamais considerei, me nocautearam. Um baque para se juntar a uma fase terrível pela qual venho passando. Coroação.

Há quantos anos eu não chorava tanto?

Cansei de tentar entender, de procurar argumentos que convencessem a mim mesma, de procurar a palavra não dita que salvaria tudo aquilo que eu acreditava ser o alicerce, de um sonho de vida, do afundamento. Aos poucos tudo vai passando, é bem verdade. Lágrimas secam, prioridades e “importâncias” mudam. Vai restando o vácuo anestésico dos dias mecânicos.

Ainda não consegui me livrar da sensação de estar me sentindo tão tola… Eu me deixei transformar na mesma bobinha romântica que sempre condenei pela desmedida ingenuidade. Mas por outro lado, sabe que me orgulho? Eu quis viver tudo isso com intensidade e foi o que fiz. Se machucou mais, se dói mais, se faz sofrer mais, são consequências para as quais eu deveria estar preparada.

Agora a busca.

Por serenidade, por lucidez, por paz de espírito. Tenho que reencontrar a velha Luma.

Ou quem sabe, brindar o nascimento de uma nova?

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