Banheirices

Estou eu, no banheiro da Prefeitura, lavando as mãos depois de cuidar das minhas necessidades fisiológicas básicas, quando…

– Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

… uma fulana, que sempre vejo pelos corredores mas com quem nunca troquei meia-dúzia de palavras, entra gritando histericamente (não, você não entendeu, eu disse histericamente meeesmo, um grito agudo, vindo do fundo do “útero” e potencializado pelos pulmões-megafone e corda-vocais “afinadérrimas”). Nem cheguei a me virar, tamanho o susto. Paralisada, olhei para ela através do espelho mesmo.

– Sua doida!!! Que foi que você fez com o seu cabelo??? (ela, chocada, já esticando a mão para minhas madeixas recém cortadas)

– Ãnh? (eu, ainda sem reação)

– Por quê você cortou? Que sacrilégio! Seu cabelo era tão maravilhoso! Eu achava tão lindo quando você desfilava pelos corredores, toda metida, toda esvoaçante…

Sacrilégio? Desfilava? Metida? Esvoaçante?

Pára o mundo que eu quero descer! Eu tinha mesmo dar alguma resposta inteligível, interessante, inteligente, brilhante? Mal consegui dar um sorrisinho amarelo-ovo forçado, ia dizer o quê?

Pior ainda foi ter que “dar explicações” para os curiosos que se acotovelavam na porta do banheiro, assustados com o grito, querendo saber o que é que estava acontecendo…

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