O Livreiro de Cabul, de Åsne Seierstad

No período logo após a queda do Talibã no Afeganistão, a jornalista norueguesa Åsne Seierstad teve a oportunidade de conviver com a família de Sultan Khan, um livreiro importante e respeitado em um país onde mais da metade da população é analfabeta. Coberta por uma burca, a jornalista acompanhou durante três meses o cotidiano da família afegã, vivendo na casa do livreiro e partilhando o dia-a-dia de contradições que retratam as dificuldades e mudanças de um povo com tradições fortemente enraizadas.

O livro não é um relatório frio e imparcial, a jornalista optou pelo relato romantizado das histórias que viu e ouviu durante este período de convivência. Se por um lado há uma clara influência dos sentimentos e impressões da própria autora em sua posição de mulher ocidental na interpretação dos fatos - o que certamente deixa uma margem razoável para equívocos ou leituras diferenciadas dos pontos apresentados - a opção por este tipo de narrativa pôde trazer um retrato emocionante e rico sobre a vida afegã durante este período de transição brusca.

O assunto não deixa de ser meio 'batido', já que o Afeganistão andou “na moda” depois do 11 de setembro. O Livreiro de Cabul é campeão nas listas de mais vendidos do The New York Times e um dos maiores best-sellers da atualidade na Noruega e embora esse tipo de “referência” costume despertar mais em mim o desinteresse do que a vontade de ler, resolvi arriscar, movida pela minha paixão por documentários e relatos de culturas e costumes diferentes. Não me arrependi. Comprei o livro no Aeroporto, indo para Salvador, e antes mesmo de voltar a São Paulo eu já havia concluído a leitura (e olha que o tempo para ler, por lá, com tanto programa de turista para fazer, era bem curto!).

Vale recomendação! ;)

Livreiro de Cabul, O

Seierstad, Åsne

  • Título Original em Norueguês: Bokhandleren I Kabul
  • Categorias: Usos e Costumes (Afeganistão), Viagem (Afeganistão)

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