Meu pecado foi sair do banheiro na hora certa…
O tipo de coisa que me deixa triste.
Estava cuidando das minhas necessidades fisiológicas básicas, quietinha na última cabine do banheiro, quando duas queridíssimas, simpaticíssimas e distintas senhoras entram falando pelos cotovelos. Um papo sobre regimes, dietas e extrema dificuldade de emagrecer, que ouvi mesmo só porque o volume das vozes não me deixou outra opção…
Termino de fazer o que precisava e saio da cabine, em direção à pia. As duas estão lá, em frente ao espelho e, abruptamente, ao me verem, se calam. Olham-me feio, diretamente, sem disfarces.
Que foi que eu fiz?
Enxugo as mãos, viro em direção a porta e ainda tenho que ouvir um comentário beeem claro e proposital:
– E a gente ainda tem que aguentar essas coisinhas (!!!) exibidas desfilando de propósito na nossa frente e jogando na nossa cara que conseguem ser magras!
Agora me digam: Que culpa eu tenho de ser magrela? De ter que passar na frente delas justamente no momento em que estão se lamentando em frente ao espelho? Eu devia ter ficado escondida na cabine esperando-as sair para não correr o risco de agredi-las? Qualé?
Poderia simplesmente tentar levar para o lado da brincadeira se eu já não as conhecesse de outros carnavais, mas - infelizmente - sei que aquele tom claramente maldoso e desdenhoso, os olhares pesados em cima de mim enquanto eu lavava as mãos não eram simplesmente reações aleatórias…
Reagir? Não, não vale a pena. Só lamento esse tipo de gente…
Para constar e para quem não me conhece pessoalmente: sou mesmo magrela e pequetita, peso cerca de 40Kg… e como muito bem!






