Maçãs Cozidas

É como voltar de uma longa viagem e descobrir - ou redescobrir - os prazeres das pequenas coisas e o charme do cotidiano de uma pessoa feliz. A tal da leveza. É entender, momentaneamente, aquele sentido da vida que não somos feitos para entender. E saber disso. Logo passa. A fluidez desses momentos a gente não pode segurar ou aprisionar. Fumaça, areia fina e brisa de outono.

Você já enfrentou uma árdua subida, sentindo o sol quente na cabeça, a garganta seca e as panturrilhas doloridas, mas esqueceu tudo isso no momento em que pôde vislumbrar a vista lá do topo? Aquele segundo mágico em que você sabe que pode voar se quiser, pode gritar, ouvir o eco de sua voz e se imaginar espalhando palavras por todo o mundo, pode rir e chorar ao mesmo tempo, se sentir louco e ter orgulho disso tudo.

Voar ainda é meu maior desejo intangível.

E preparo maçãs cozidas com açúcar e canela, enquanto ouço uma desavisada seleção de músicas que inclui no mesmo CD The Pretenders e Arch Enemy e vou vivendo a imprudente escolha de continuar sonhando.

I never seem to understand
The time, the place and who I am
Define a way to stay alive
It’s like I’m living a lie

[ trecho de "Free Fall", do In Flames ]

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