Implacável e delicioso
Tá. Papo de velho, papo manjado. Mas não há como não sentir que o tempo é mesmo implacável quando a gente vê as crianças da nossa vida crescendo. Ou pior: quando depois de um tempinho sem vê-las a gente, de repente, vê que elas, de repente, cresceram. De repente, de repente, de repente.
Há muito deixei de ouvir um “Nossa! Como você cresceu!” das minhas tias. Quem diz isso agora, com mais frequência do que imaginado, sou eu.
Estive há pouco na casa do meu ex-namorado (felizmente ainda somos amigos e nossas famílias idem) e acabei encontrando a sobrinha dele. Aquela menina que pulava no meu colo quando eu aparecia agora é uma bela mocinha, 11 anos e quase o meu tamanho. Não que meu tamanho seja lá grande coisa, mas… enfim, a questão nem é a altura, é que ela cresceu.
Meu ex tem ainda 2 outros sobrinhos que não cheguei a encontrar, mas conversamos sobre eles: um que já está com 15 anos (!!) e, pelo que disseram, maior que o pai dele (na “minha época” era menor do que eu!) e o outro, que eu chamava de “o pequenininho” e ainda tinha na cabeça a imagem de bebê, está com 9 anos.
Mas tudo isso também tem o seu lado menos susto e muito mais gostoso. É delicioso ver que o tempo não muda algumas coisas, aquilo que a gente construiu lá atrás e ainda permanece dentro da gente. A Tati não me esqueceu (normal crianças esquecerem, às vezes, quando se perde um pouco o contato) e quando soube que eu estava lá, foi correndo me ver, mesmo com o frio que está fazendo, mesmo gripada. E me deu aquele abraço forte e único quando nos encontramos. Enchi de beijos esta menina linda.
Coisinhas estranhas futucando o coração dessa pobre “velhinha” aqui… ai, ai…






