A Noiva Cadáver

A Noiva Cadáver

*** Cuidado: pode conter spoilers! ***

Baseada em um conto russo, a animação trata do casamento arranjado entre Victor Van Dort (na voz de Johnny Depp) e Victoria Everglot (na voz de Emily Watson). Pressionados por suas famílias, que acreditam em suas próprias salvações financeiras com o acordo matrimonial, os dois acabam se conhecendo e se identificando em sua situação, surgindo aí um forte sentimento permeado de cumplicidade. A situação passa por uma reviravolta quando, por engano, Victor coloca o anel de casamento em um galho seco ensaiando seus votos e com isso evoca uma noiva que fora assassinada pelo próprio noivo no dia de seu casamento. Victor fica, então, dividido entre Victoria e Emily (a noiva-cadáver, na voz de Helena Bonham-Carter).

A história por si só, apesar de tratar de uma temática complexa e do título intrigante, apresenta-se apenas bonitinha, especialmente considerando o final muito previsível carregado de moral manjada, até um pouco bobinho. Mas o estilo próprio e inegável de Tim Burton, sempre temperado com toques fantasiosos e bizarros, é facilmente identificável e transforma tudo em uma cativante animação.

O paradoxo entre os vivos e os mortos é muito bem explorado. Burton cria um contraste interessante entre os dois mundos, criando no mundo dos vivos uma atmosfera sombria e mórbida, enquanto no mundo dos mortos tudo é muito animado, divertido e mais colorido.

Tecnicamente é muito bem feito. O cenário, sombrio e ao mesmo tempo belo, e os personagens são bem caricaturizados, com traços exagerados e muito pronunciados. A movimentação - mesmo com algumas cenas ligeiramente truncadas (utilizada a técnica de animação stop-motion) - e a expressividade impressionam.

Acho que o conjunto todo poderia ser um pouco mais ousado, eu tinha uma expectativa de algo mais inusitado, excêntrico, ou chocante. De qualquer forma isso não tira a magia e a qualidade do filme. É um longa para se recordar de sequências, tem mesmo cenas memoráveis.

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