5 anos
Você imaginava onde estaria, o que estaria fazendo hoje há alguns anos atrás? Nem precisa ser muito tempo, digamos, 5 anos?
Nunca fui de fazer planos sérios a longo prazo, acabo sempre caindo no receio de passar a viver um amanhã que talvez nunca chegue… Fui até remexer meus diários antigos (sim, até hoje escrevo um) procurando por anotações que indicassem o que eu gostaria de estar fazendo hoje, mas não encontrei nada.
Eu teria imaginado, por um fração de segundo que seja, que estaria aqui hoje?
2001.
Eu estava no segundo ano da faculdade, estudava de manhã, fazia estágio na Gerência Regional do Banco do Brasil em Campinas e ainda tinha contrato para mais 1 ano e meio, morava em uma república com mais 4 amigas em Americana, namorava sério há 3 anos. A república passava por uma crise por conta de desentendimentos com uma das meninas, então procurávamos um novo apartamento. A maior expectativa de mudanças naquele momento era o tal novo apartamento…
… não cheguei nem a conhecê-lo.
Fui chamada para trabalhar na Prefeitura, um concurso público que havia prestado 2 anos antes e que eu achava nem estava mais valendo. Lembro que na época foi difícil tomar uma decisão. Eu saí do Banco, me transferi para o período da noite na faculdade e voltei a morar com meus pais em Indaiatuba.
Cá estou.
Em nada o que eu faço hoje no trabalho se parece com o que eu fazia quando entrei para o departamento, mudou o serviço, o local, o cargo.
Todo este lero-lero porque lembrei que hoje completo 5 anos de Prefeitura. Nada demais, só um gancho para refletir algumas coisas, me peguei pensando em tudo o que mudou neste tempo, as experiências pelas quais passei, os acontecimentos que foram me trazendo ao lugar onde estou agora. Pessoal ou profissional. Pessoas.
O tempo é absurdamente relativo. Talvez realmente não exista, mas ainda me fascina.
Muito ou pouco.
Muita coisa.
Nóia.
O Teatro Mágico - Amém
Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade…
nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade
no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar
Prendas de quermesseA placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha…
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado
É de vez em quando… do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde… próximo… seguinteÉ o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi… calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe… que coisas são essas…






