Bad Mood Mode On

Eu vou estar com a cara amarrada e os lábios franzidos em uma tromba de quase meio metro. O olhar parecerá ausente do mundo ao redor, extremamente lento para acompanhar qualquer movimentação nas vizinhanças, mas muito concentrado em algo específico e próprio, como a tela do monitor.

Meus cabelos estarão soltos, com uma aparência oleosa, ligeiramente caídos sobre o rosto ou muito puxados e presos em um rabo de cavalo ranzinza. Nenhum sinal de presilhinhas fofas, piranhas coloridas ou trancinhas. Não estarei usando brincos e meus anéis estarão de lado, provalmente descansando junto às teclas de PrintSrceen, SrollLock e PauseBreak.

Minhas mãos estarão metralhando o teclado e a tecla de enter estará sofrendo sonoras e doloridas pancadas. Vou estar ouvindo minha playlist com a seleção de músicas mais pesadas, barulhentas e gritadas, em volume três vezes mais alto do que o costumeiro.

Se você vier me dirigir a palavra, meus movimentos para retirar o fone do ouvido serão vagarosos e o olhar que eu lhe dirigir vai fazer com que você se sinta invadido, atravessado, congelado ou incoveniente.

Levar um susto vai significar no máximo uma levantada de sobrancelhas. Piadas e comentários aleatórios serão ignorados ou respondidos com uma perfeita expressão facial silenciosa de “e eu com isso?”.

Você me ouvirá bufando impacientemente, me verá consultando o relógio a cada quatro minutos, me sentirá pesada e incomodada, sugando pelo ar, toda a sua energia.

Se cruzar comigo pelos corredores você se sentirá invisível ou parte da paisagem e, não, eu não lhe desejarei “bom dia” e talvez nem mesmo responda se você tomar a iniciativa de fazê-lo.

Sintomas altamente perceptíveis, tal qual um rotaflex de alerta instalado no topo da cabeça.

Sim, você notará perfeitamente quando não estou de bom humor.

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