Procurando por identificação…

Não conhecia mais aquele rosto. Não era aquela, a garota que acreditava conhecer há tantos anos… Tentou fazer uma análise fria do semblante cansado à sua frente… mas como analisar friamente a desesperança de alguém a quem estava ligada tão intimamente?

Procurou qualquer resquício de suavidade em meio as linhs duras que emolduravam aquele rosto. Os lábios, levemente contraídos marcavam com aspereza seu queixo expressivo, denotavam a tensão a qual ela havia sucumbido.

Estava abandonada de si mesma. Tinha manchas sobre a pele e olheiras amareladas. E os olhos… céus, onde estaria o brilho daqueles olhos? Algum dia, em um passado não tão remoto, eles haviam refletido a vida… agora, estavam opacos pela melancolia de uma tristeza sem explicação.

– Levante-se! - gritou.

Ambas sofriam. Sentiam as mesmas coisas. Amavam e odiavam juntas. Sempre. Não podia ser diferente.

Devagar, levantou a mão. Repetindo o gesto, a outra fez o mesmo, ao mesmo tempo. Juntas. Estendeu o braço… quis tocá-la…

Seus dedos sentiram o vidro gelado do espelho que as manteriam separadas eternamente por alguns míseros milímetros.

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