Procura-se

Garota baixa, magra, olhos castanhos escuros, cabelos lisos, 23 anos, com conhecimentos em programação e webdesign.

Que seja contraditória em quase tudo, sonhadora sempre, muito crítica especialmente com os que se sobressaem, inesperadamente tolerante demais com algumas pessoas, paciente na espera, mas facilmente irritável por outras bobeirinhas.

Que goste de ouvir a chuva, de sentir o vento, que se sinta viva no frio e não ache inúteis os dias úteis. Que não tenha medo de tocar as pessoas e abraçar os amigos.

Que seja apaixonada por livros, por cinema, pelo mar e pelas estrelas.

Que goste de heavy metal, da energia de um show ao vivo, sinta-se feliz pulando e agitando até sentir as pernas bambas, a garganta seca e a voz falha.

Que curta poesia, pintura, fotografia e arte digital.

Que prefira a noite ao dia, o inverno ao verão, o anonimato à fama exarcebada, a solidão às más companhias.

Que se emocione com sorriso de bebê e casal de velhinhos de mãos dadas.

Que não tema dirigir em São Paulo, nem de pegar pista, odeie palpiteiros no banco de passageiros e fique nervosa quando tiver que fazer balizas.

Que acenda incensos todos os dias, seja viciada em drops de menta, use as unhas compridas pintadas de preto, café ou ameixa e não tire o anel do polegar nem para dormir.

Que seja independente e curta sua própria companhia, seja leal mas também exija lealdade, não perdoe fácil uma traição, diga o que não quer quando está de mal com o mundo e depois fique com a consciência pesada por causa disso.

Que se orgulhe de ter um gênio difícil, tenha crises insuportáveis de mau humor, seja boa ouvinte e péssima conselheira, prefira manter a maior parte de suas opiniões para si mesma, seja romântica de uma maneira esquisita e ache piegas o romantismo dos outros, sem se dar conta de que é a mais piegas das românticas.

Que seja prisioneira de sua própria ânsia de liberdade.

Que seja eu.

Qualquer pista ou informações, favor entrar em contato.

Tenho tido a impressão de que não estou vivendo a minha vida e estivesse o tempo todo na angústia da procura de mim mesma… não me sinto “eu”… esquisito isso… e difícil de explicar também…

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