Duh!
“Não TE QUERO senão porque te quero
e de querer-te a não te querer eu quero
e de esperar-te quando não te espero
passa o meu coração de frio ao fogoTe quero só porque a ti eu te quero,
do ódio sem fim, e a odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viajanteé não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.Nesta história tão só eu me faleço
e morro de amor porque te quero,
porque te quero, amor, o sangue e fogo”[ Pablo Neruda ]
Pode ser que tenhas mesmo razão, amiga…
Talvez eu não passe de uma fraca, que escondida gosta de sofrer como a heroína gótica, mas carrega pelas ruas a máscara da modernosa desencanada. Sonhadora demais para desacreditar, medrosa demais para lutar, orgulhosa demais para assumir.
Talvez eu esteja mesmo me sentindo carente. Talvez eu esteja cansada de muitos fãs-vazios e deseje apenas um único fã. Talvez eu esteja me sentindo perdida porque ainda não esteja preparada para enfrentar novamente as responsabilidades que braços ao redor de minha cintura acarretam. Talvez eu queira apenas curtir mais um pouco essa liberdade de estar single, não dever nenhum tipo de satisfação, paquerar muito, ser carinhosa com os meus amigos - amigOs, homens - sem culpa.
Talvez por isso relute em querer tentar qualquer coisa mais sério com quem quer que seja. Mas talvez, isso não seja definitivo nem para o momento.
Talvez eu esteja cometendo os mesmos erros de outrora, talvez meta os pés pelas mãos ou dê mais uma de minhas cabeçadas, mas talvez, agora, eu seja uma outra pessoa. Talvez eu sinta diferente, pense diferente, faça diferente, mesmo que a vida inteira eu esteja buscando a mesma coisa.
Talvez eu ainda não saiba o que eu quero. Talvez nunca venha a saber. Ou talvez saiba e não queira admitir. Talvez eu não queira ser obrigada a sair do conforto da dúvida, onde ainda posso abraçar os joelhos e contemplar o horizonte sem me sentir culpada por não estar correndo atrás de algo.
Talvez queira apenas ir vivendo minha vida sem me preocupar com detalhes que não estão nas minha mãos. Talvez eu ainda me preocupe demais e esqueça de que no fundo tudo é muito simples.
…
O poema não tem muito a ver com o post, não… apenas gosto de Pablo Neruda…






