Devaneios no olhar

Ela adentrou o quarto evitando o olhar dele. Se o olhasse dentro dos olhos ele saberia… sentiria… mas talvez não entendesse… não podia deixá-lo perceber. Quando seus olhos se acostumaram à meia-luz, viu-o deitado. Os longos cabelos escuros constratando-se sobre os lençóis imaculadamente brancos, os olhos risonhos e um sorriso bobo.

Devagar, ela se aproximou. Quis sorrir de volta, mas começou a rir. Rir a ponto de chorar, ficar vermelha e sem ar. Um riso histérico e incontrolável, de quem precisava desesperadamente se livrar de todo medo e apreensão que havia segurado nos últimos dias.

Os amigos ao redor não entenderam nada… mas afinal, quem é que precisa entender?

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