Festa de Aniversário

Som no último volume: “Alô galera de cowboy, alô galera de peão…“. Um cara, totalmente caracterizado: botas, fivelona e chapéu, está imitando um locutor de rodeio aos berros. Os homens já estão praticamente todos bêbados, falando bobeiras, fazendo piadinhas sem graça e brincadeirinhas constrangedoras… Todos à minha volta falam aos gritos, tentando vencer a música alta. É uma festa, mas ninguém está vestido para uma festa. Chinelos Havaianas. Falam sobre assuntos que eu conheço, mas não consigo participar das conversas. Fico num canto, quieta. Me olham como se eu fosse um bicho estranho. Eu me sinto um bicho estranho. Onde estou? Quem são essas pessoas? Estou simplesmente vestida, blusinha preta, calça capri, sandália de saltinho médio, mas todos me olham como se eu estivesse arrumada demais, como se eu fosse ” A metida, que faz de propósito para humilhar todo mundo alí. Só porque não estou de Havaianas? Começo a me sentir sufocada, irritada. Quero fugir, me esconder… Não é a música, não é a simplicidade da festa, muito menos as vestimentas… é a maneira como me olham, os murmúrios às minhas costas. Não pertenço a este mundo…

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