Diário:
Domingo eu finalmente consegui assistir ao filme Carandiru. Bem, eu não sei quanto a vocês, mas em mim acho que Hector Babenco conseguiu o que queria: despertou uma porção de sentimentos contraditórios…
Primeiro, sobre o filme em si. Eu gostei do filme, me prendeu a atenção do início ao fim e eu saí do cinema satisfeita, achando que valeu a pena. Talvez minha opinião fosse outra se eu já tivesse lido o livro, mas embora seja uma grande vontade minha, ainda não tive oportunidade.
Eu estava lendo as críticas do público sobre o filme no Adoro Cinema. Se o que se esperava era polêmica o objetivo foi alcançado. De 0 a 10, tem notas e opiniões de todos os tipos. Sinceramente eu não sei bem o que dizer. É bem verdade que o filme mostra um lado bem humanista da carceragem, por diversas vezes eu me esqueci de que se tratava de uma cadeia, era quase como a vida em um cortiço, com sua organização e leis próprias. A gente chega a se comover com algumas das histórias, faz pensar que os homens alí são humanos e como tal merecem alguma coisa mais digna… aí é que vêm os sentimentos contraditórios: sentir pena de homens que matam, estupram, que causam a desgraça de famílias inteiras e pessoas de bem? É confuso, dolorido, triste. De repente me vi refletindo sobre uma porção de coisas, questionando o sistema que sustentamos ou o ponto que em que chegamos… sem no entanto chegar a nenhuma conclusão definitiva.
A respeito da chacina, não há o que comentar. A observação final de Dráuzio Varella disse tudo: só quem pode falar sobre o que aconteceu são os presos, a polícia e Deus. O filme mostra a versão dos presos.
Ainda…
Ainda tenho pensado muito no caso da garota da faculdade. Vi uma foto dela, agora sei quem era e fiquei ainda mais inconformada. Era uma pessoa aparentemente alegre, conversava com todo mundo pelos corredores, sempre a vi rindo e brincando… Não adianta. Não entra na minha cabeça.






