Quase todos os contos reunidos neste livro tratam da temática da vida de funcionários e soldados britânicos na Índia do século XIX, foram escritos por Rudyard Kipling na época em que ele trabalhava como jornalista em Lahore e podia desfrutar de uma posição privilegiada como observador do cotidiano local.
Este foi apenas o meu primeiro contato com o trabalho de Kipling, então não posso dizer se as características percebidas aqui são inerentes ao escritor ou apenas a esta fase de sua obra, mas digo uma coisa: para mim não foi uma leitura das mais fáceis.
Através destes contos vislumbrei no autor um observador meticuloso e detalhista, estas são histórias que nos colocam em contato com uma outra época, uma Índia inexplorada, com facetas que sequer imaginamos, mesmo quando o país esteve “na moda” por aqui e tanto se falou a respeito.
Fascinante, sem dúvida. Mas fiquei com a impressão de que o processo de escrita – e também o de tradução, devo dizer – foram dirigidos àqueles que já tem algum conhecimento prévio dos costumes e termos locais. Eu, uma completa noob no assunto, fiquei perdida em alguns trechos onde o texto menciona e faz referência a pessoas, locais e situações que simplesmente me remetiam a… bem, a nada, sem sequer um glossário, observações ou notas de rodapé para me orientar. Senti que perdi muito da leitura pelo fato de não ter tido uma experiência anterior com o assunto.
É um livro que ficará marcado para releitura no futuro, quem sabe tenho impressões diferentes daqui a algum tempo? Bem, posso dizer que a leitura destes contos serviu para uma coisa: fiquei curiosíssima para ler outra obra bastante conhecida do autor, O Livro da Selva. Sabe o menino Mogli? Pois é, então, este mesmo.
Este post faz parte do Desafio Literário 2011 cuja tarefa para o mês de outubro é a leitura de obras de ganhadores do Nobel de Literatura. Rudyard Kipling foi o primeiro escritor de língua inglesa a ser contemplado com o prêmio (1907).
Leia também as resenhas de Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa e O Falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello.