Palavras garimpadas

Palavras Garimpadas #25

O mundo são as circunstâncias em volta da vida da gente. Não são as coisas, fatos e fenômenos que ocorrem no planeta: o mundo da gente não é o planeta Terra; este a gente vê no cinema e na televisão, sabe pelos jornais, mas não é o mundo dela. Diz-se do ser humano que é ser-no-mundo porque o mundo parte intrínseca do seu ser: são as relações pessoais, as pessoas com quem fala e convive, as coisas que faz, a sua ocupação, o seu trabalho, os seus projetos. O mundo é maior ou menor conforme a largueza dessas circunstâncias.

Os Quatro Contos do Mundo – R. Saturnino Braga

Cotidiano

Fiapos do Cotidiano #6

O aniversário de uma amiga está se aproximando, depois de consultar a wishlist dela vou a uma livraria a fim de pesquisar preços. Uma vendedora vem me atender:

– Precisa de ajuda?

Eu:

– Vocês tem “O Caderno” de Saramago?

Ela dá uma bufada sem se preocupar em disfarçar e me olha como se eu não fizesse a menor ideia do que estou fazendo ali além de desperdiçar o tempo dela:

– Olha moça, aqui é só livraria, não é papelaria não. Tem uma papelaria aqui na rua de trás, lá eles vendem caderno, deve ter esse aí que você quer.

😕

Cinema e Vídeo

Filme: Além da Liberdade

Cenas do filme

Além da Liberdade, dirigido por Luc Besson, é um filme biográfico que retrata a história de Aung San Suu Kyi, uma política birmanesa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz (1991), que ganhou notoriedade mundial por sua luta, firme mas pacífica, pela democracia e a condição de prisão domiciliar em que viveu por quase 15 anos.

Suu Kyi é filha de Aung San, considerado herói nacional e “pai” da Birmânia moderna (Myanmar), que foi assassinado pouco antes da independência do país, quando ela tinha apenas 2 anos. Estudou na Universidade de Oxford, onde conheceu Michael Aris, um especialista em cultura butanesa, tibetana e himalaia, com quem se casou e teve dois filhos. Em 1988 Suu Kyi voltou a seu país, para cuidar de sua mãe doente, justamente no momento em que eclodiu a revolta popular contra o regime militar que acabou por provocar uma violenta repressão e graves consequências na economia do país. Seu envolvimento com o movimento foi inevitável.

Não é um filme para quem procura um melhor conhecimento a respeito da recente história política da Birmânia, o roteiro praticamente não contempla esse aspecto e mantém o foco no núcleo familiar de Suu Kyi, em especial no seu relacionamento com o marido e os sacrifícios enfrentados por sua família. Uma bonita, embora triste, mensagem sobre o que é verdadeiramente afetado quando suprimida a liberdade de um povo.

De minha parte, não vi a escolha por um alicerce familiar como um problema, uma vez que eu não tinha expectativas de um viés mais político/histórico que pudessem ser frustradas. E posso dizer que gostei do resultado, com algumas reservas.

Como ponto de destaque eu citaria o ótimo trabalho dos atores principais. Michelle Yeoh (que interpreta Aung San Suu Kyi) e David Thewlis (Michael Aris) apresentam uma química perfeita em tela, ambos estão muito a vontade em seus papéis, convencem e emocionam. Minha reservas ficam apenas por conta de alguns buracos no roteiro (cortes na edição?) que acabam por tornar algumas passagens meio confusas no decorrer dos acontecimentos e na falta de profundidade quando trata das razões para que a luta seja tão importante para o casal ou de onde vem essa consciência política tão acirrada. O filme não mostra o que é os une verdadeiramente, mesmo quando separados por milhares de quilômetros e longos períodos de tempo.

De uma maneira ou de outra é um filme recomendável. Se não por uma grandiosidade cinematográfica, pelo mérito de abordar um conflito pouco documentado que, à parte a notoriedade alcançada por Suu Kyi, permanece obscuro para a grande massa ocidental.

Além da Liberdade

The Lady (França / Reino Unido, 2011, 132 min.)

Cartaz: Além da Liberdade

  • Direção: Luc Besson
  • Roteiro: Rebecca Frayn
  • Gênero: Drama / Biografia
  • Elenco Principal: Michelle Yeoh, David Thewlis, Jonathan Raggett, Jonathan Woodhouse, Benedict Wong, William Hope
  • Avaliação: ★★★★☆

Trailer

Livros

Livro: O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

O Nome do Vento (Patrick Rothfuss)

Minha primeira leitura para o item 36 da minha lista de 101 coisas foi uma indicação do amigo Ronni, uma das recomendações mais empolgadas que já recebi na vida e, com toda certeza, um excelente (re)começo para minha “tarefa” de ler livros recomendados por amigos.

Empolgante, muito bem escrito, ambientado em um mundo fascinante que prende a atenção em cada detalhe, O Nome do Vento é o primeiro livro de uma trilogia centrada na figura de Kvothe (ou simplesmente Kote), um homem enigmático que procura ocultar sua identidade vivendo como um pacato estalajadeiro. Quando um cronista chega para se hospedar, durante um período turbulento na cidade, e desconfia que o proprietário da estalagem é, na verdade, o personagem principal de diversas anedotas contadas na região, Kote é confrontado e decide narrar sua história desde suaa infância em uma trupe de artistas itinerantes, passando pelos os anos em que viveu nas ruas sobrevivendo como ladrão, o esforço para entrar na Universidade e a obsessão por descobrir mais informações a respeito do Chandriano – um grupo de demônios lendários que assassinaram sua família.

A narrativa de Rothfuss realmente me cativou. A trama, muito bem desenvolvida, envolve os mais diversificados elementos – a magia, a música, as paixões, o ódio, a vingança, em uma sequência que consegue surpreender o tempo todo.

Um dos aspectos que mais gostei no livro é a maneira com que o autor consegue dosar as características do protagonista de modo a criar ambiguidades que o transformam em herói e anti-herói ao mesmo tempo, sem nunca prejudicar seu carisma. Kote não pode resistir a fazer o que é certo dentro de um código moral muito particular, ao mesmo tempo em que pode ser o mais ardiloso dos ladrões, um trapaceiro de marca maior ou um impudico assassino. O mesmo ocorre com a caracterização do mundo em que a história se passa. Quando trata de magia, por exemplo, temos um elemento importante que, no entanto, não é absolutamente dominante, não é a força que a tudo move, é apenas parte de um todo muito mais complexo, repleto de variáveis que fazem com que o resultado tenha mais força, seja mais crível dentro do universo fantástico.

Curiosíssima para ler a continuação que foi lançada aqui no Brasil pela Editora Arqueiro com o título de “O Temor do Sábio”. A quem possa interessar o autor também escreveu um spin-off da série entitulado “A Música do Silêncio”, centralizado em Auri, uma das personagens da trilogia.

Ronni querido, muito obrigada pela recomendação! 😉

Nome do Vento, O

Rothfuss, Patrick

Capa: O Nome do Vento

  • Série: A Crônica do Matador do Rei #1
  • Editora: Arqueiro, versão Kindle
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Fantasia Medieval
  • Título original em inglês: The Name of the Wind
  • Site do autor: http://patrickrothfuss.com
  • Avaliação: ★★★★★
Vídeos Interessantes

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