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Já sofreu bullying na escola?

Já sofreu bullying na escola?

Quando recebi esta pergunta, enviada pela Duda para o meu projeto Pergunta que eu respondo, não imaginei que teria dificuldades ao tentar respondê-la. Veja bem, não estou dizendo que falar sobre bullying me desperta traumas ou lembranças dolorosas, nada disso. É apenas um assunto sobre o qual nunca refleti profundamente e, admito, para mim é cercado de dúvidas.

A principal delas diz respeito a limites. Existem limites para o que pode/deve ser considerado bullying?

Pode argumentar o quanto quiser, mas pensando exclusivamente no período escolar padrão (visto que entendi ser este o direcionamento da pergunta), eu acredito sim que crianças e adolescentes podem ser verdadeiramente cruéis, que “inocência” não é uma justificativa, no mesmo passo em que pessoas diferentes são afetadas e reagem de maneiras diferentes a um mesmo tipo de provocação. Então até que ponto certos tipos de “brincadeirinhas” podem ser consideradas inocentes ou isentas de intenções pouco nobres?

Em boa parte da minha época de escola (faz tempo isso, hein? mas abafa!) eu fui a menina CDF (lembram desse termo?), aquela que só tirava boas notas, para quem olhavam estranho porque ela realmente lia os livros exigidos para os trabalhos de Português e coloria os mapas para aula de Geografia. A muito quieta, a desprovida de habilidades sociais, perto da qual a maioria dos colegas só queria sentar em dia de prova. Aquela que reconhece – de verdade – o sacrifício dos pais para mantê-la em uma boa escola, mas que nem sempre sabia lidar com o sentimento de inferioridade porque todos os colegas ao seu redor tinham muito mais dinheiro, esfregavam roupas e tênis de marca na sua cara, frequentavam lugares e faziam viagens que ela não podia. Aquela que usava óculos fundo de garrafa, tinha a cara pipocada de espinhas e aparelho “freio de burro” nos dentes. Aquela que recebia apelidos pejorativos, ouvia risinhos pelas costas e lidava com o desdém – declarado – de muita gente por causa de tudo isso.

Claro que falando assim a coisa parece bem ruim, mas é porque só comentei mesmo os pontos pertinentes ao assunto. Não era assim 100% do tempo, tive amigos, tive ótimos momentos, tenho ótimas lembranças e – juro! – na época nem pensava muito nisso, não passava o tempo me remoendo com nada disso.

Não aprovo, não acho “normal”, não acho que “faz parte”, não acredito que essas crianças e jovens não saibam o que estão fazendo. Mas sei também que muito do que eu sentia na época vinha de mim mesma, do que eu sentia em relação aos outros, de como eu me rebaixava, da insegurança. E sei que foi muito menos “grave” do que zilhões de casos que vemos por aí todos os dias, alguns para além dos extremos (existe um medidor de gravidade para esse tipo de coisa?) e nunca sofri qualquer dano físico ou material. Sei que essas experiências também são parte do que me moldou ao longo dos anos, então não digo que não me afetou, mas de maneira alguma poderia dizer que me traumatizaram, que guardo ressentimento daqueles colegas, que lembro com mágoa ou raiva.

Aí se alguém me pergunta se eu sofri bullying na escola, minha resposta deve ser obrigatoriamente binária? Não consigo responder um simples sim ou não…

ico_plug Este post é uma resposta à pergunta da Duda no Pergunta que eu respondo!, uma seção do blog onde respondo, com posts, às perguntas dos leitores. Para saber mais, enviar a sua pergunta ou ver a lista de perguntas/respostas já publicadas espia aqui.

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Meu cabelo é naturalmente liso, cheio e pesado. Se por um lado não consigo manter nenhum penteado nele por muito tempo, também posso deixá-lo solto sem quaisquer problemas, ele não fica de fato despenteado, então, em 99.9% das vezes você vai me encontrar com o cabelo simplesmente solto ou preso em um rabo de cavalo simples. A questão é que gosto de penteados e acessórios, não uso com frequência por preguiça e falta de jeito. Vamos mudar o que não nos deixa satisfeitos, certo? Esta também é uma das metas da minha lista de 101 coisas, andei pesquisando dicas de penteados fáceis, para o dia a dia mesmo, que eu possa fazer sozinha e acabei descobrindo que tanto a procura quanto a oferta são bem abundantes. Nunca é tão simples quanto parece nos vídeos e tutoriais, mas é preciso tentar para aprender, não?

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Livro: Colega de Quarto, de Victor Bonini

Colega de Quarto (Victor Bonini)

Tempos atrás fiz uma “limpa” no meu Kindle, arquivei livros já lidos e encarei uma maratona para reduzir o acúmulo de títulos ainda “inéditos”. Tenho essa mania de visitar a área de ofertas de ebooks da Amazon e sair baixando tudo quanto é título em promoção, mesmo que nunca tenha ouvido falar antes, acumular aos montes e depois esquecer o que é que tenho ali.

Foi o que aconteceu com Colega de Quarto. Topei com o livro durante o trabalho de reorganização e sequer consegui me lembrar de tê-lo comprado. Não sei há quanto tempo ele estava ali, mas posso dizer: foi uma grata surpresa. Um suspense policial que flerta ligeiramente com o clima de terror, bem escrito (não serei diplomática, esse aspecto sempre me surpreende em novos autores tão jovens), com personagens interessantes e uma trama bem construída, isenta da enxurrada de apelativos clichés que parece ser tão tentadora a escritores do gênero.

A narrativa em terceira pessoa é contada a partir do ponto de vista do advogado/detetive particular Lyra e gira em torno do caso de Eric Schatz, um jovem carioca de família abastada que se mudou para o São Paulo para cursar a faculdade, e que, morando sozinho, começa perceber indícios de que outra pessoa pode estar frequentando seu apartamento: o súbito aparecimento de objetos desconhecidos, estranhos barulhos, luzes e eletrodomésticos que ligam sozinhos.

O drama é deflagrado quando Eric avista um vulto entrando no apartamento pela porta da frente. Desesperado, questionando sua própria sanidade, o jovem vai procurar a ajuda do detetive particular, mas tudo acontece rápido demais: antes que Lyra possa esclarecer os fatos, sequer acreditar em sua história, Eric acaba morrendo depois de despencar da janela de seu apartamento.

Sim, o livro é bom. Prende a atenção, consegue coordenar as diversas ramificações da investigação sem perder o fio da meada e culmina em um desfecho bastante satisfatório, que pode ou não surpreender, mas que não decepciona.

As personagens são destaque à parte. Simpatizei bastante com Lyra – aposto algumas fichas na ideia de que o detetive acabará se tornando o protagonista de uma série – e, minha preferida neste livro, Miranda Schatz, mãe de Eric, odiosa a princípio, mulher forte, personalidade de muitas camadas – adoro!

Victor Bonini entrou para minha lista dos novos autores nacionais que pretendo acompanhar de perto, sua estreia certamente vale uma recomendação e é um sopro de ar fresco na esperança de que nossos novos escritores tragam material de qualidade em meio a tantos títulos duvidosos no mercado editorial brasileiro atualmente.

Colega de Quarto

Bonini, Victor

Capa: Colega de Quarto

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