Livro: Batons, Assassinatos e Profetas, de Mehmet Murat Somer
Um assassino está à solta pelas ruas de Istambul. Suas vítimas têm sempre o mesmo perfil: jovens travestis cujos nomes de batismo coincidem com nomes de profetas mencionados no Alcorão. Consciente da pouca atenção que o caso vem recebendo da polícia e da mídia, a protagonista do romance, uma travesti experiente, sócia de uma empresa de segurança da informação durante o dia e de uma das boates mais badaladas da cidade durante a noite, resolve investigar por conta própria e sai no encalço do maníaco homicida. É claro que conciliar tantas atividades não é fácil e, entre sessões de depilação, amigas histéricas e o assédio de admiradores apaixonados, ela precisa correr contra o tempo – equilibrando-se sobre os saltos altíssimos! – e provar a culpa do suspeito antes que ela mesma se torne a próxima vítima.
Um romance policial (embora alguns trechos lembrem muito mais um chick-lit) escrito por um turco, ambientado em uma cidade que sempre despertou meu fascínio, tendo como protagonista uma travesti peculiar e um argumento instigante… escolhi este livro para o Desafio Literário apostando no que, para mim, parecia bastante inusitado. E de fato é, todas estas características servem para descrever o livro, mas alguma coisa no estilo de escrita do autor não me cativou.
Não sei se consigo explicar, simplesmente achei a coisa toda “seca” demais. De um relato em primeira pessoa, feita por uma travesti que se diz tão apaixonada pela vida, tão disposta a proteger suas “meninas”, eu esperava qualquer coisa mais enérgica, mais viva. E no texto tudo me parece distante e frio demais.
O suspense também não é grande coisa, não há um grande mistério que desafie o leitor, nem mesmo um antagonista de personalidade forte ou inteligência acima da média – os “vilões” para mim, têm que ser dignos de nota. Os diversos momentos do livro se confundem em trechos “quase lá”: quase irônicos, quase engraçados, quase tensos, quase-quase, sem nunca chegarem àquele tão ansiado ápice. A grande sacada está mesmo por conta das peculiaridades da protagonista e das personagens de seu mundo, mas não sei se vale mesmo a pena somente por causa disso. Foi uma leitura rápida porque são poucas páginas e a linguagem é simples, mas não chega a ser uma que eu queira passar a recomendação à frente.
Este post faz parte do Desafio Literário, cuja tarefa para o mês de março é ler livros com a temática de serial killers. Leia também a resenha de Criança 44, de Tom Rob Smith.
Batons, Assassinatos e Profetas
Somer, Mehmet Murat
- Editora: Rocco
- Categorias: Literatura Estrangeira, Policial
- Título Original: Peygamber Cinayetleri
- Avaliação:








E o primeiro livro de março para o 















































