Carnaval

Mais um Carnaval. Não tenho planos, não vou viajar. E não gosto de Carnaval.

Nessa época sempre acabo me sentindo um pouco menos brasileira. Não que eu acredite verdadeiramente nisso, pelo contrário, acredito piamente que o Brasil não se resume às habilidades dos pés – em tese: futebol e samba – mas nesses dias o apelo é ainda mais acirrado.

A mídia invade nossas casas. O quê?!? Você não gosta de futebol? Não sabe sambar? Então, meu amigo, sinto informar-lhe, mas você faz parte da escória também, não é brasileiro de verdade. Assim como eu.

Samba, suor e cerveja não fazem o meu estilo em absoluto. Nunca consegui entender o que as pessoas podem ver de tão divertido em se misturar a uma multidão gigantesca e ensandecida, pulando e suando em meio a suvaqueira do nosso verão. Se você gosta, vá em frente, seja feliz! Mas por favor, me deixe no meu canto… não fique me olhando como se eu fosse um ser de outro mundo simplesmente por eu não curtir futebol e carnaval “como todo brasileiro”…

Aniversário de São Paulo

450 anos. Com tanto auê sendo feito por aí eu não poderia deixar de postar algumas palavrinhas a respeito desta que é a minha cidade natal. Há tempos atrás postei um texto aqui que foi quase uma declaração de amor a Sampa. Como eu disse naquela ocasião, não tenho nenhuma intenção de voltar a morar na capital, não sei mais se esse mundo é pra mim, mas ainda assim me fascina em praticamente todos os seus aspectos. Hoje, quando penso em São Paulo a primeira coisa que me vem a cabeça é um mundo com muita gente, muito movimento, muito barulho, muito trânsito, muito estresse… é uma imagem que surge involuntariamente, mas logo tudo o que São Paulo realmente significa vem por trás dessa cidade-estresse. As luzes da noite, o brilho e a grandeza de tudo o que acontece lá, os milhões e milhões de mundos e história que ela abriga… Apesar de ter nascido e vivido lá até os 14 anos conheço muuuito pouco dessa cidade. Acho que uma vida inteira não bastaria para isso… quero voltar lá outras vezes, não para cumprir deveres, mas para conhecer um pouco mais de tudo de mais fascinante que Sampa pode oferecer.

Edguy - Eyes Of The Tyrant

Sarau

Tive uma noite de sábado bem diferente, minha irmã e eu fomos a um sarau com a Robs e uma turma de amigos do meu irmão. Música, poemas e muita risada. Valeu a pena! Diferente e interessante, eu me diverti bastante!

Saí de lá com um pensamento muito forte: preciso ler mais! Como diria minha irmã: foi um programa “intelectual”. Conversas das quais eu não sei se conseguiria participar nem mesmo como curiosa, pois não saberia nem o que perguntar… Gostoso, é saber que existem ainda existem jovens que lêem, se informam sobre os mais diversos assuntos, curtem músicas pelo que ela diz… =P

Within Temptation - The Dance

Você pode ouvir o silêncio chamando?

Telefone, televisão, computador, pessoas falando, carros passando, movimento, agitação. Para fugir da poluição sonora eu ligo o som. Adoro música, mas ultimamente tenho sentido falta de ouvir o som de um momento de paz. Há quanto tempo não paro para ouvir o “silêncio”?

Stratovarius - A Million Light Years Away

Ecos…

De repente me dei conta de que estava rangendo os dentes, o maxilar já chegava a doer. Os gritos vinham da cozinha, feriam meus ouvidos e se misturavam com a deseperadora sensação de impotência. Ouvi ameaças físicas. Os limites já se perderam em algum lugar do passado. Corri.

Meu pai, minha mãe e minha irmã discutiam aos berros, prestes a partirem uns para cima dos outros. O que eu podia fazer? Gritar mais alto que eles?

Minha irmã estava vermelha, descabelada, chorando. Saiu gritando. Meu pai veio atrás:

- Repete isso se você tem coragem! Repete!

Fixei os olhos no prato que ele tinha nas mãos, pronta para segurá-lo caso perdesse de vez o controle. E tive medo… Medo de que ela realmente o enfrentasse, medo de que ele realmente jogasse aquele prato, medo de as coisas realmente explodissem de uma vez por todas…

O pivô desses discussões em casa normalmente é meu pai, que perde o controle por coisinhas e é extremamente orgulhoso nesses casos. Houve uma época em que as discussões eram comigo ou por minha causa. Eu mudei, me tornei uma pessoa mais serena. Agora é com minha irmã. Ele, parece não ter mudado nada. Culpado? Não, não é o que estou querendo dizer… De vez em quando paro pra pensar e sinto que meu pai não faz por mal, é apenas um homem orgulhoso, que carrega algumas frustrações e não sabe muito bem como lidar com as coisas que ele mesmo sente…

Em meio a tudo, o principal “alvo” sempre foi minha mãe. Fico triste quando percebo a pessoa machucada e muitas vezesamargurada que ela se tornou e mais triste ainda por não conseguir fazer nada para mudar isso…

Desde que me entendo por gente não me lembro de ter visto meus pais vivendo um casamento feliz. O período em que comecei a “entender” algumas coisas foi também a época em que comecei a ter a percepção do quão diferente era a realidade das minhas fantasias infantis.

Já houve fases em que as discussões foram bem piores. Aconteciam todos os dias, o tempo todo. O clima em casa era constantemente pesado, ao ponto de dificultar a respiração, tal a intensidade do ar carregado. Hoje, não sei dizer se melhorou, ou se sou eu quem passa mais tempo trabalhando e studando, mas fato é que no fundo sempre estou com a sensação da bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento. Então, vivemos o momento “feliz” com o pé atrás, até que a próxima explosão aconteça e os ecos daquela fase negra se façam ouvir outra vez…

Nightwish - Gethsemane

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