Estudo e Trabalho

Cores: Paletas inspiradas em orquídeas

Orquídeas #1

Foto: (cc) John @ Flickr

Orquídeas #4

Foto: (cc) kayugee @ Flickr

Orquídeas #5

Foto: (cc) amortize @ Flickr

Cinema e Vídeo

Filme: Contos da Noite

Todas as noites três amigos – um garoto, uma garota e um senhor de idade – se encontram em um velho cinema para encenar histórias fantásticas, inspirando-se em velhos livros de fábulas e lendas, decidindo em conjunto o período e o país onde a história se passará, bem como os detalhes do figurino e das personagens que eles mesmos interpretam.

Somos então apresentados a 6 pequenos contos de fantasia, ambientados em diferentes épocas e países:

  • The Werewolf: ambientado na Europa Medieval, conta a história de duas irmãs apaixonadas pelo mesmo príncipe e a maldição que faz com que ele se transforme em lobisomem nas noites de lua cheia.
  • Tijean and Belle-Sans-Connaitre: ambientado nas Índias Ocidentais, conta a história de Tijean, que decidiu explorar uma caverna tão a fundo que acabou chegando ao Reino dos Mortos.
  • The Chosen One and The City Of Gold: ambientado no tempo dos Astecas, conta a história dos habitantes de uma cidade que todos os anos oferecem um sacríficio humano – a garota mais bela de todas – a um deus-monstro em troca do ouro com que a cidade é toda construída.
  • The Boy Tam-Tam: ambientado na África, conta a história de um garoto que adora tocar tambor e acaba responsável por um tambor mágico capaz de obrigar qualquer um a dançar sob sua música.
  • The Boy Who Never Lied: ambientado no Tibet, conta a história da profunda amizade entre um garoto e um cavalo falante.
  • The Doe-Girl and the Architect’s Son: de volta à Europa Medieval, conta a história dos jovens Maud and Thibaut, que estão apaixonados, mas precisam escapar de um poderoso e tirânico feiticeiro que deseja se casar com Maud.

Eu não diria que a animação prima por originalidade ou por criatividade narrativa – suas histórias são na maior parte apenas medianas, adaptações de fábulas já conhecidas -, mas no aspecto técnico, em especial nos belos gráficos e na trilha sonora caprichada, Contos da Noite revela-se encantador.

Claro que sou suspeita para falar, esse visual estilizado e multicolorido me fascina. Admito que, embora tenha achado interessante a ideia de usar tantas cores e detalhes no fundo e manter as personagens como silhuetas, ainda não consegui decidir se realmente gostei disso – depois de algum tempo comecei a sentir uma espécie de “claustrofobia” por nunca vislumbrar feições e expressões. De qualquer forma, ponto positivo para o trabalho de Michel Ocelot, que conseguiu transmitir emoções através dessas silhuetas.

É uma boa pedida para os fãs de animações que estão procurando por trabalhos diferentes, fora do círculo Disney-Pixar. Também é uma boa dica para assistir junto com as crianças.

Contos da Noite

Les Contes de la Nuit (França, 2011, 84 min.)

Cartaz:

  • Direção: Michel Ocelot
  • Roteiro: Michel Ocelot
  • Gênero: Animação, Fantasia
  • Elenco Principal: Julien Beramis (voz), Marine Griset (voz), Yves Barsacq (voz)
  • Avaliação: ★★★☆☆

Trailer

Vídeos Interessantes

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Livros

Livro: O Ladrão do Tempo, de John Boyne

O Ladrão do Tempo (John Boyne)

Matthieu Zéla é um homem marcado por uma característica ímpar: por volta dos 50 anos seu corpo parou de envelhecer, ele simplesmente não morre e não faz ideia do porquê disso. O Ladrão do Tempo conta a história da vida de Matthieu desde sua escapada da França junto com seu irmão menor em meados de 1758 até o final do século XX, relatando suas experiências por diversos lugares, as pessoas que conheceu, as incontáveis mulheres por quem se apaixonou, as profissões que exerceu e os fatos históricos que presenciou ou das quais participou de alguma forma.

Para mim, uma das características mais interessantes do livro é que o autor não fica batendo exclusivamente na tecla da imortalidade e não faz um alarde excessivo sobre o fato, tratando-o apenas como algo que… simplesmente acontece. É óbvio que este é o ponto de partida e o que permite todo o desenrolar da história, mas foge de um viés fantasioso quando dá uma ênfase maior às consequências ao invés das causas. Dando um tom realista aos acontecimentos ele procura responder à pergunta: como seria a vida de um homem se ele vivesse por muitos e muitos anos? Durante a narrativa, percebemos que o absolutamente comum e o extraordinário trabalham juntos na tentativa de nos dar uma resposta. E eu gostei disso.

Também gostei bastante da maneira como o autor incorporou fatos e figuras históricas à vida de Matthieu, tornando-os relevantes em uma linha muito parecida com “Forrest Gump”, embora com impacto bem mais moderado. Não posso dizer que o protagonista tenha me cativado completamente – em alguns momentos ele é tão irritante! – mas sua construção tem algo de instigante que cutucou a minha curiosidade em saber mais sobre sua história.

Conversando com alguns amigos do Clube de Leitura percebi que a capa, padronizada para o autor nesse estilo listrado que remete ao sucesso d’O Menino do Pijama Listrado, pode dar uma ideia equivocada do que esperar. Não, este não é um livro infanto-juvenil. A linguagem aqui é bem mais adulta, carregada de um sarcasmo, por vezes bastante resignado, inerente a um homem que já testemunhou as mais diversas facetas do ser humano em sua longa vida e, ainda que permeada pela sutileza, algumas cenas podem ser bem pesadas.

Minha empolgação com a leitura oscilou bastante, trechos muito interessantes, outros bastante tediosos, ainda assim digo que vale a pena. É um desses livros que não causa um grande impacto logo de cara, mas que fica na cabeça depois de concluído e abre espaço para muitas reflexões.

Ladrão do Tempo, O

Boyne, John

Capa: O Ladrão do Tempo

  • Editora: Companhia das Letras, versão Kindle
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Romance
  • Título original em inglês: The Thief of Time
  • Site do autor: http://www.johnboyne.com/
  • Avaliação: ★★★★☆
Cotidiano

Ressaca de ano novo

Dizem que o ano do brasileiro só começa depois do Carnaval, mas para mim, essa sensação sempre vem junto com os primeiros dias de trabalho depois do recesso.

Voltei ao trabalho ontem. Sinto-me como se tivesse começado o ano de ressaca. Não, eu não bebo. Mas uma crise de enxaqueca que durou mais de uma semana, seguida de uma gripe bem chatinha – e que ainda não sarou completamente – me deixaram destruída, não fiz praticamente nada do que havia planejado para os dias de folga, não recuperei a energia que eu precisava para voltar com o que eu chamaria de pique. Corpo cansado, cabeça pesada, mente travada, sono desregulado, algum desânimo.

Não quero que este início pouco feliz se torne padrão para o ano, teimo em agarrar com as duas mãos a esperança em dias melhores e na retomada de um bom ritmo, mas – momento desabafo – quem vai discordar que começar um novo ciclo tão ansiado aos tropeços dá uma baqueada na gente?