Livro: Excalibur, de Bernard Cornwell

Capa: Excalibur, de Bernard Cornwell Excalibur (publicado com o mesmo título no Brasil) é terceiro e último livro da trilogia The Warlord Chronicles, em que Bernard Cornwell nos apresenta uma versão historicamente possível dos mitos arturianos. Chave de ouro para fechar a saga com a força que só as boas sagas carregam.

Pode ser que eu já me encontrasse no ritmo certo depois de ler os 2 primeiros volumes, talvez Cornwell realmente tenha a habilidade de prender o leitor com seu texto de qualidade incontestável, mas é fato que embora todos os volumes sejam bastante volumosos não houve muito espaço para o cansaço, fui com-ple-ta-men-te absorvida pela trama.

Este último me pareceu o mais intenso dos três livros. As batalhas são mais sangrentas, os conflitos mais severos, os sentimentos mais explosivos, as atitudes mais impulsivas. Os anos vão passando e os personagens estão bem mais envelhecidos, muitos deles já não têm o mesmo vigor, ainda assim a narrativa tem muita força. E, finalmente, descobri porque Derfel encontra-se na posição em que está quando começa a contar a história – estou me perguntando sobre isso desde as primeiras páginas!

A história de Arthur não é de todo desconhecida mesmo para aqueles que nunca leram qualquer uma das versões, ainda assim vou evitar um post muito longo para não deixar escapar spoilers já que a graça aqui está justamente nas arranjos do autor para tornar a história mais plausível e coerente.

Se você não tem medo de um grande volume de páginas e gosta de sagas épicas, aqui está uma trilogia recomendadíssima. ;)

Excalibur

Cornwell, Bernard

  • Série: The Warlord Chronicles #3
  • Editora: ePenguin, versão Kindle
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Romance Épico
  • Título na edição brasileira: Excalibur (Record)
  • Site do autor: http://www.bernardcornwell.net/
  • Avaliação: ★★★★☆

Within Temptation - Faster

Livro: Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl

Capa: Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl Ruth Reichl, que já foi crítica de restaurantes do The Los Angeles Times e do The New York Times (1993 a 1999), além de editora chefe da Gourmet Magazine (1999-2009), é considerada hoje uma referência entre escritores de gastronomia no mundo. Conforte-me com Maçãs é um relato com bases autobiográficas que começa com sua resolução de deixar para trás o trabalho como cozinheira do restaurante The Swallow para se tornar crítica de gastronomia, ainda que toda a sua família desaprovasse a mudança.

Só depois da leitura, quando fui fazer algumas pesquisas para a resenha, é que fui descobrir que este livro é precedido por um outro – A Parte Mais Tenra – e seguido por Alhos e Safiras, ambos também parte das memórias da autora, mas não creio que o fato de não ter lido o primeiro tenha causado muitos prejuízos ao entendimento dos fatos narrados aqui.

A inexperiência e as dificuldades do início de uma nova carreira, as viagens por diversos países do mundo – da clássica Paris a exótica Tailândia, a busca por refeições memoráveis e sabores inigualáveis, os problemas familiares, as dúvidas, os medos, os sonhos, tudo é narrado em tom de descontração, em uma leitura tão agradável que (com o perdão do trocadilho) devorei o livro quase sem me dar conta.

Uma das coisas que mais me empolga é ver a paixão ardendo nas pessoas e esse é um aspecto que fica muito claro no livro. Ruth é profundamente apaixonada pelos prazeres da boa comida, dos sabores e dos aromas, e coloca tudo isso em palavras que conseguem nos transmitir as sensações em seus mínimos detalhes. As analogias e metáforas que ela utiliza para descrever suas experiências com os diferentes pratos ao longo do livro são espirituosas e divertidas, as melhores que já li em livros do gênero, é quase como sentir o que ela sentiu, ainda que eu sequer tenha ouvido falar em grande parte das receitas e ingredientes citados.

Se eu fosse considerar Ruth como uma personagem fictícia diria que não simpatizei completamente com ela, de vez em quando ela toma umas atitudes para as quais eu simplesmente não pude deixar de torcer o nariz, mas no final das contas este acabou se tornando, para mim, um bom exemplo de um livro com o qual não precisamos “concordar” plenamente para ter uma boa experiência de leitura.

Mais um livro lido para o Desfio Literário 2012, cujo tema para o mês de janeiro é Literatura Gastronômica. Leia também as resenhas de Fama à Mesa, de Fabiano Dalla Bona, Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel e Clube do Jantar, de Jessie Elliot.

Conforte-me com Maçãs

Reichl, Ruth

  • Editora: Objetiva
  • Categorias: Biografia e Memórias, Gastronomia
  • Título Original em inglês: Comfort Me with Apples
  • Site do autor: http://www.ruthreichl.com/
  • Avaliação: ★★★½☆

Within Temptation - Utopia

Filme: O Escafandro e a Borboleta

Cartaz: O Escafandro e a Borboleta O Escafandro e a Borboleta conta a história verídica de Jean-Dominique Bauby, jornalista e escritor francês, editor da revista Elle, que aos 43 anos sofreu um grave AVC e entrou em coma. Ao acordar, 20 dias depois, descobriu que havia perdido a fala e os movimentos do corpo, restando-lhe apenas a capacidade de piscar o olho esquerdo, embora sua mente continuasse perfeitamente lúcida – uma condição muito rara, conhecida como síndrome do encarceramento.

Recusando-se a ficar à margem do mundo, Bauby aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto por um método desenvolvido por sua fonoaudióloga. A despeito de todas as limitações impostas ele escreveu um livro – O Escafandro e a Borboleta (em que foi baseado o filme) – com a ajuda de uma pessoa que tomava nota das letras “piscadas”, onde conta algumas passagens de sua vida, explica o sentimento de se viver preso de seu próprio corpo e dá uma visão do mundo que criou para si mesmo dentro de sua cabeça para não perder as únicas coisas que lhe restaram intactas: sua memória e sua imaginação.

Cena do filme

Cena do filme

Não li o livro, mas sabia do que se tratava e já fui assistir ao filme sabendo que não passaria emocionalmente ilesa pela experiência. E, de fato, chorei e me emocionei, não pude evitar a sensação de angústia e sufocamento, a admiração, o tapa na cara.

A história de Jean-Dominique emociona por si mesma, mas não há dúvidas de que Julian Shnabel fez um trabalho de direção primoroso que, junto com a fotografia muito bem calculada de Janusz Kaminski, consegue colocar o espectador “dentro” do drama. Para transmitir o que poderiam ser as sensações de um paciente nestas condições foi adotado o recurso da câmera subjetiva, boa parte das cenas foi feita do ponto de vista do próprio Bauby, com visões entrecortadas e movimentos limitados. Os ângulos restritos destas visões, em contraste com cenas de vastas paisagens em tomadas abertas só faz aumentar a impressão claustrofóbica no hospital.

Cena do filme

Cena do filme

A atuação de Mathieu Amalric no papel do protagonista está irretocável, ele convence tanto nas cenas de antes, quanto nas de depois do AVC e ilustra de maneira ampla, quase chocante, as diferenças entre as duas fases da vida de Bauby. No mais, acrescento que nenhum dos coadjuvantes fica atrás, especialmente considerando o destaque e a importância que os atores ganham quando precisam “interagir” com a câmera em tantas cenas onde vemos o ponto de vista do paciente.

Forte, tocante, memorável. Se você ainda não assistiu, aviso que é um filme para ser assistido com o espírito preparado ou você correrá o risco de, como eu, passar por essa sensação de ter sido atropelado por um rolo compressor…

Escafandro e a Borboleta, O

Scaphandre et le Papillon, Le (França, 2007, 112 min.)

  • Direção: Julian Schnabel
  • Roteiro: Janusz Kaminski, Olivier Bériot, Ronald Harwood, baseado no livro de Jean-Dominique Bauby
  • Gênero: Biografia, Drama
  • Elenco Principal: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Olatz López Garmendia, Max von Sydow, Isaach De Bankolé
  • Avaliação: ★★★★☆

Trailer

Links interessantes #53

Móbile

E fazia tempo que eu não colocava um vídeo aqui na tag dos links interessantes, então lá vai: uma animação em stop-motion toda feita com… livros! :D

Livro: Clube do Jantar, de Jessie Elliot

Capa: Clube do Jantar, de Jesse Elliot Junie quase não vê os pais, eles são executivos muito ocupados que passam a maior parte do tempo viajando para outros países. Quando seus sentimentos por Brian, seu adorável namorado, começam a ficar confusos ela sente que não tem com quem conversar… Célia nunca se apaixonou e não tem pressa, está à espera do “garoto perfeito”. Ela tem um ótimo relacionamento com o pai, um excêntrico artista plástico, a quem considera seu melhor amigo, até que ele arruma uma namorada… Daniele não se lembra do pai, foi criada pela mãe e pela avó, família de origem italiana, cujas mulheres detém os dons da boa cozinha e a incrível “habilidade” de se interessarem somente pelos “homens errados”.

Em uma fase em que a confusão da adolescência ainda disputa espaço com as responsabilidades da vida adulta, as três garotas criam o hábito de se reunir uma vez por semana para cozinhar informalmente. Entre ingredientes e receitas, alegrias e tristezas, dúvidas e decisões, descobrem a importância de uma atividade conjunta e o valor das verdadeiras amizades.

Vou confessar que escolhi o livro apenas porque me pareceu uma boa para o tema do mês no Desafio Literário, um estilo diferente das outras opções que já havia selecionado, não esperava nada realmente inusitado. De fato não cheguei a me surpreender, mas, devo admitir, a leitura foi mais agradável do que eu esperava.

Junie, Célia e Danielle são personagens carismáticas, construídas de forma realista, cada qual com sua personalidade, que lembram pessoas que conhecemos no nosso dia a dia – ponto positivo para que eu pudesse me identificar e me aproximar delas.

A história – um chick-lit para adolescentes, eu diria – se abstém de exageros e extremismos que muitas vezes me incomodam bastante no “gênero”, é gostosa de acompanhar, emociona e ainda assim se mantém dentro do plausível. Gosto quando um escritor consegue captar o cotidiano em suas tramas e nos entreter com ela sem causar enfado.

Não posso dizer que tenha sido uma das leituras mais marcantes dos últimos tempos, mas sim, foi um bom entretenimento.

Este post também faz parte do Desafio Literário 2012, cujo tema para o mês de janeiro é Literatura Gastronômica. Leia também as resenhas de Fama à Mesa, de Fabiano Dalla Bona e Como Água para Chocolate, de Laura Esquível.

Clube do Jantar

Elliot, Jessie

  • Editora: Arx
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Juvenil
  • Título Original em inglês: Girls Dinner Club
  • Avaliação: ★★★½☆

Within Temptation - Fire and Ice

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