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Livro: Calafrios, de Lisa Jackson

Capa: Calafrios, de Lisa Jackson Um perigoso psicopata está agindo na cidade de Nova Orleans. Suas vítimas são assassinadas sempre aos pares, um homem e uma mulher que aparentemente não têm nenhuma ligação entre si. Reuben Montoya, o detetive responsável pelo caso, se vê mergulhado em uma intricada investigação onde nada é o que parece, um emaranhado de pistas confusas que, por meios inesperados, parecem remeter sempre ao mesmo lugar: um hospital psiquiátrico desativado onde Abby Chastain, ex-mulher de uma das primeiras vítima, sofreu um grande trauma há 20 anos.

Embora Abby seja suspeita para alguns de seus colegas Montoya não acredita em sua culpa, mais do que isso, não consegue ignorar sua crescente atração por ela e à medida que a investigação se desenrola, fica cada vez mais claro que o passado dessa mulher tão irresistivelmente vulnerável guarda muitos segredos. Segredos que nunca foram devidamente esclarecidos e enterrados.

Uma sinopse bem sucinta para uma trama que envolve muitas outras variáveis, mas tentei não falar demais para não estragar a leitura de ninguém. Calafrios, um suspense policial com toques românticos, tem um bom argumento, uma história que não chega a ser das mais criativas no gênero, mas que consegue prender a atenção e gerar alguma expectativa.

É um livro volumoso, Lisa Jackson estende a narrativa em longas descrições, alternando entre os pontos de vista da polícia, das vítimas e do assassino, acompanhando tudo em detalhes – a investigação, os depoimentos, as sensações, as ações, os assassinatos, os pensamentos, o sentimentos. Não chega a ser um “defeito”, já que na maior parte das vezes a prosa é caprichada, mas sim, em alguns momentos o excesso de minúcia atravanca a fluidez e se torna cansativo.

Minha maior ressalva, no entanto, é quanto ao desfecho. Muitas pontas soltas e uma sensação ligeiramente incômoda de “é isso?”. Cheguei a pensar que o livro poderia fazer parte de alguma série cujas respostas seriam dadas em outro volume, mas não consegui encontrar muitas informações a respeito, parece que realmente há uma série com os mesmos detetives, mas nada que indique que as tramas são interligadas (alguém aí conhece melhor o trabalho de Lisa Jackson e saberia informar?).

É mesmo uma pena, porque Calafrios é um bom thriller, consegue até mesmo causar calafrios. De qualquer forma um bom entretenimento para aqueles que estiverem dispostos a encarar as 500 e tantas páginas.

PS: Só para constar, juro que só quando estava no final do livro (e tenho ele na estante há muito tempo) é que fui perceber que aquele treco cor de rosa na capa não é vestido!

Este post faz parte do Desafio Literário, cuja tarefa para o mês de março é ler livros com a temática de serial killers. Leia também as resenhas de Criança 44, de Tom Rob Smith e Batons, Assassinatos e Profetas, de Mehmet Murat Somer.

Calafrios

Jackson, Lisa

  • Editora: Bertrand Brasil
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Policial
  • Título Original: Shiver
  • Avaliação: ★★★☆☆

Within Temptation - Destroyed

Livro: O Poderoso Chefão, de Mario Puzo

Capa: O Poderoso Chefão, de Mario Puzo Publicado originalmente em 1969, O Poderoso Chefão é um romance de ficção que procura retratar o cotidiano e os negócios das famílias de mafiosos que imigraram da região da Sicília, na Itália, para os Estados Unidos. O personagem central é Vito Corleone, um siciliano que, em Nova York, ascendeu da posição de imigrante pobre para um dos mais poderosos chefes de máfia do país. A história abrange um longo período entre as décadas de 40 e 50 e conta os detalhes de uma sangrenta guerra entre famílias mafiosas desencadeada quando Don Corleone se recusa a participar de um negócio no tráfico de drogas, com um grande parênteses que conta os detalhes de sua chegada e ascensão no país.

Bem, o que dizer? Esta resenha já estava nos meus rascunhos há um tempão, mas eu simplesmente não estava conseguindo colocar em palavras claras os motivos porque não achei a leitura tããão-tão quanto imaginava (já levei até um puxão de orelhas por ter dado somente 3 estrelas à obra, não é mesmo, Tatiana? rs). É um livro muito bom, não estou dizendo o contrário, apenas não era tudo o que eu esperava – talvez, mais uma vez, a velha questão da expectativa hiperbólica.

Sei que muita gente vai me crucificar por dizer isto, mas O Poderoso Chefão, para mim, é um dos pouquíssimos casos em que o filme me agrada mais do que o livro. O motivo? O principal deles é que simplesmente não entendi porque é que alguns personagens e acontecimentos ganham tantas páginas e tanto detalhamento. Para mim ficou com cara de lenga-lenga irrelevante, sentia a quebra na empolgação da leitura toda vez que a narrativa caía em um desses momentos. Digam-me (spoiler alert!): por que é que a gente precisava conhecer tão detalhadamente o passo a passo de uma cirurgia vaginal?

O filme, por sua vez, tem um ritmo mais ágil, manteve o foco deixando de fora justamente esses momentos que me entediaram no livro e ainda assim conseguiu ser bastante fiel. É também um daqueles casos em que som e imagem fazem a diferença: sotaque, entonação, trejeitos. Ah, e só para constar, assisti os filmes somente depois da leitura.

De qualquer forma é como eu disse: é um livro muito bom. Uma história envolvente e intrigante, por vezes cruel, inesperadamente humana e apaixonada.

E o ponto fortíssimo do livro com certeza é Don Corleone. Personagem singular, de carisma extraordinário, muitíssimo bem desenvolvido e apresentado por Puzo. Adoro essa mistura de autocontrole, implacabilidade e paixão que o movimentam.

Não é difícil conceber as razões para que o trabalho de Mario Puzo figure sempre entre os clássicos e mais influentes da literatura. Mérito para uma obra que conseguiu ditar o formato do estereótipos de mafiosos que ficaram gravados no imaginário popular, assim como muitos dos termos usuais, hoje tidos como típicos da Cosa Nostra.

Poderoso Chefão, O

Puzo, Mario

  • Editora: Edições BestBolso (Grupo Record)
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Drama, Máfia
  • Título Original em inglês: The Godfather
  • Site do autor: http://www.mariopuzo.com
  • Avaliação: ★★★☆☆

Joshua Radin - I'd Rather Be With You

Filme: As Melhores Coisas do Mundo

Cartaz: As Melhores Coisas do Mundo As Melhores Coisas do Mundo é um filme que acompanha por alguns dias a rotina de Mano (Francisco Miguez), um adolescente de 15 anos às voltas com as descobertas, alegrias e decepções típicas desta fase da vida.

Sinopse simples demais?

Penso que parte dos méritos do filme residem justamente aí, no ser sucinto, na maneira como a trama se atém a um cotidiano realista, com situações comuns, que podem acontecer na vida de qualquer pessoa.

Mano é um adolescente exatamente como tantos outros, tem dificuldades para aceitar a separação do pais, gosta de curtir uma balada com os amigos, quer aprender a tocar guitarra para impressionar as garotas, sente-se inseguro quanto a primeira transa, aprende que a popularidade na escola nem sempre é uma coisa boa. Uma história ambientada em um mundo de verdade, onde ninguém é completamente bom ou completamente mau, todos são apenas humanos.

Cena do filme

Cena do filme

Para mim a adolescência foi uma fase tão difícil quanto maravilhosa, creio que para muita gente deve ter sido assim também, e é por isso que assistir As Melhores Coisas do Mundo foi uma experiência gostosa. É praticamente impossível olhar para Mano, sua família e seus amigos e não identificar, em pelo menos algum aspecto, a nossa própria adolescência, pessoas e situações que conhecemos nesta época.

Laís Bodansky fez um bom trabalho conduzindo a trama com um certo tom de leveza, concentrando a carga dramática em personagens mais fragilizados ao invés de criar um dramalhão generalizado e se contendo nas “lições de moral”, que não deixam de marcar presença, mas também evitam exageros. Gosto da personalidade que a diretora emprega em seus trabalhos, As Melhores Coisas do Mundo pode não se igualar a Bicho de Sete Cabeças, mas ainda assim revela um pouco de sua força.

Cena do filme

Cena do filme

Outro aspecto que funcionou bastante bem neste longa é o elenco. Francisco Miguez e Gabriela Rocha (que, corrijam-me se eu estiver errada, debutaram aqui no mundo do cinema) parecem muito à vontade em seus papéis e apresentam um ótimo entrosamento. Também me chamaram atenção as atuações de Caio Blat e Paulo Vilhena em papéis de personagens mais maduros, mostrando que o tempo passa para todo mundo, afinal eu ainda estava acostumada a vê-los nos papéis de alunos e não de professores. Até mesmo Fiuk, tão criticado por seu trabalho em Malhação, surpreende com uma perfomance que, se não chega a ser brilhante, ao menos está bem afinado no papel do deprimido Pedro.

Por detalhes e reconhecimento, As Melhores Coisas do Mundo é um bom filme, de estética simples e eficiente, que não chega a surpreender mas proporciona alguns bons momentos em frente a telona.

Melhores Coisas do Mundo, As

Melhores Coisas do Mundo, As (Brasil, 2010, 104 min.)

  • Direção: Laís Bodanzky
  • Roteiro: Luiz Bolognesi
  • Gênero: Nacional, Adolescência
  • Elenco Principal: Francisco Miguez, Fiuk, Denise Fraga, Gabriela Rocha, Gabriel Illanes, Caio Blat, Paulo Vilhena
  • Avaliação: ★★★½☆

Trailer

R.E.M. - Losing My Religion

Livro: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

Capa: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón Quando Daniel tinha 11 anos seu pai o levou ao Cemitério dos Livros Esquecidos, um lugar quase desconhecido, tratado como uma espécie de segredo para poucos, que abriga uma vasta coleção de obras literárias perdidas e/ou abandonadas. Lá, ele é orientado a escolher um único livro que deverá guardar e proteger, garantindo que ele nunca desapareça. Andando em meio a tantos e tantos corredores de estantes abarratodas, sua atenção é captada por um exemplar de A Sombra do Vento do escritor Julian Carax, que ele escolhe levar.

A história do livro deixa Daniel completamente fascinado. Como filho de um livreiro, ele estranha o fato de nunca ter ouvido falar em um escritor tão primoroso e vai em busca outros títulos e mais informações sobre Julian Carax, mas acaba descobrindo que pouquíssimas pessoas o conhecem – e quando sim, hesitam em falar a respeito – e que um homem misterioso anda queimando os poucos exemplares remanescentes de seus títulos. Incapaz de conter sua curiosidade, Daniel será arrastado a uma despótica aventura que remonta a um passado de mistérios e segredos lúgubres que vai provocar profundas transformações em sua vida.

Por nenhuma razão especial, apenas uma questão de oportunidade, acabei indo na contramão de muita gente e li Marina antes d’A Sombra do Vento. Os dois romances têm uma dinâmica muito parecida e acho que é por isso que este segundo não chegou a me causar tanta surpresa, mas posso garantir que em nada isso afetou minhas impressões positivas a respeito da história.

Assim como em Marina, A Sombra do Vento traz uma trama engenhosamente elaborada e conta, ao mesmo tempo, duas histórias diferentes que se entrelaçam de maneiras inesperadas, com uma narrativa envolvente e personagens intrigantes. Uma leitura que me fez ficar ansiosa, curiosa, surpreendida como raras vezes tem acontecido nos últimos tempos. Sem contar que a-do-ro a Barcelona de Zafón! Na visão do autor, esta cidade cinzenta e sombria, quase gótica, tem tanta personalidade que quase poderia ser considerada uma personagem da história. Simplesmente me fascina a maneira como somos apresentados a ela.

Como já comentei antes, Carlos Ruiz Zafón tem tudo para se tornar um dos meus escritores favoritos. Já estou com O Jogo do Anjo em mãos e estou ansiosíssima para encontrar um tempinho para ele no meu cronograma de leituras! ;) .

Sombra do Vento, A

Zafón, Carlos Ruiz

  • Editora: Suma das Letras
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Suspense
  • Título Original: La Sombra del Viento
  • Site do autor: http://www.carlosruizzafon.com/
  • Avaliação: ★★★★☆

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