Livro: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

Capa: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector De incontestável papel de importância na Literatura Brasileira, A Hora da Estrela foi o último livro publicado em vida pela escritora Clarice Lispector. O romance conta a trajetória de Macabéa, retirante alagoana que chega ao Rio de Janeiro e vai trabalhar como datilógrafa, embora não seja nada boa nisso. Extremamente ingênua e ignorante, ela é tão, tão simplória que sequer se dá conta de sua própria existência, do que lhe faz falta ou das agressões que a vida lhe impõe e segue com a sua rotina pisoteada, isenta de quaisquer sobressaltos.

Em uma outra camada temos também o relato de Rodrigo S. M., o escritor fictício que cria e narra a história da desventurada moça, identificando-se com ela ao mesmo tempo que se ressente e a insulta. Às voltas com tentativas de se explicar, descrevendo o processo criativo e inserindo comentários a respeito de sua própria condição social, Rodrigo tece reflexões sobre o papel do escritor na sociedade e o ato de escrever em si.

É um livro muito mais denso do imaginei – suposição fraca, admito, baseada na simplicidade da edição, nas poucas páginas e no meu conhecimento quase nulo do trabalho da escritora. O tom irreverente, a poesia e a doçura de alguns trechos enganam, para mim foi – em um bom sentido – um soco no estômago. A leitura me fez sofrer, fez com que eu me sentisse exausta e angustiada, ao mesmo tempo em que, arrebatada, me vi fascinada pela habilidosa manipulação das palavras, pela maneira crua com que o texto falou, direta e secamente, aos recantos mais profundos de minha própria existência.

Amei e odiei Macabéa. Amei e odiei Rodrigo.

É mais um clássico que entrou para minha lista “livros que todo mundo deveria ler pelo menos uma vez na vida” e que vai para minha prateleira dos livros que merecem muitas releituras. Recebi a recomendação e passo adiante, vale muito a pena, em especial para aqueles que gostam dos livros cuja leitura jamais poderá ser simplesmente ordinária.

Muito obrigada, Rosangela!

Este foi mais um livro lido para o item 25 da minha lista de 101 coisas e a recomendação foi de uma blogueira muito querida que eu já acompanho há um tempão, a Rosangela Neres.

A Rosangela foi super atenciosa e me mandou uma lista de recomendações toda organizadinha, dizendo como foi a experiência dela e porque ela recomenda cada uma das leituras. Além d’A Hora da Estrela ela também me recomendou (em itálico aqueles que eu já havia lido antes):

  • Pollyanna Moça, de Eleanor H. Porter
  • Ao Farol, de Virginia Woolf
  • Sons and Lovers, de D.H. Lawrence
  • O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
  • Razão e Sensibilidade, de Jane Austen
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
  • The Year of The Flood, de Margaret Atwood
  • A Estrada, de Cormac McCarthy
  • Heavenly, de Jennifer Laurens
  • Hush, Hush, de Becca Fitzpatrick

Muito obrigada pela colaboração com o meu projeto, querida!

Hora da Estrela, A

Lispector, Clarice

  • Editora: Rocco
  • Categorias: Literatura Brasileira, Romance
  • Avaliação: ★★★½☆

Lifehouse - Hanging By A Moment

Desafio Literário 2012

Antes de ver a lista de temas para o Desafio Literário 2012 eu estava considerando seriamente a possibilidade de não participar no ano que vem. Não que a experiência não esteja sendo satisfatória, muito pelo contrário, o processo todo – a escolha dos livros, a leitura, as resenhas e a interação com outros participantes – tem me proporcionado experiências interessantíssimas. A questão é que eu estava pensando em dar uma chance a outros projetos de leitura que participo (ou gostaria de participar), depois de 2 anos dando a prioridade ao DL pensei que talvez fosse o momento de mudar um pouco. Mas, porém, todavia, contudo… bati os olhos na seleção de temas e na mesma hora soube que não poderia ficar de fora!

Uma pequena mudança nas regras para essa próxima edição do desafio: a feitura da lista não é obrigatória, mas eu gosto da dinâmica que ela proporciona e não tenho grandes problemas em ler livros definidos com antecipação, então resolvi montar a minha. E já que a coisa toda está um pouco mais flexível resolvi abrir espaço para uma pequena concessão a mim mesma: aumentei o número de opções para 5 (!!) títulos por mês. Calma lá, explico. Não tenho a pretensão de ler todos eles dentro do cronograma, mas acho que vai ser bom ter mais do que uma ou duas opções disponíveis, assim posso ler aquele(s) que tiver mais vontade quando chegar o momento.

Meus critérios pessoais para a escolha dos títulos continuam os mesmos dos anos anteriores: preferência para os livros que eu já tinha na estante (a famosa e neverending lista de espera) ou que pudessem ser adquiridos a preços baixos – em promoções ou sebos.

Mas basta de lenga-lenga! Depois de alguns dias de muita pesquisa, segue minha lista de escolhidos para o Desafio Literário 2012 (a ordem apresentada na lista não reflete minha ordem de preferência na leitura, é apenas uma maneira de organizar as coisas):

Leia o post completo

Lifehouse - Simon

Livro: Contos de Amor, de Loucura e de Morte, de Horacio Quiroga

Capa: Contos de Amor, de Loucura e de Morte, de Horacio Quiroga Publicado pela primeira vez em 1917, Contos de Amor, de Loucura e de Morte é a obra mais conhecida de Horacio Quiroga e traz 15 contos que abordam temas como… bem, como amor, loucura e morte. Os três temas se misturam e se confundem em histórias de tez macabra (comparações inevitáveis com Edgar Allan Poe) e situações, no mínimo, incômodas.

Uma rápida biografia do escritor no final desta edição da Clássicos Abril Coleções nos esclarece em parte a lugubridade que permeia seu trabalho, desde muito cedo a vida de Quiroga foi marcada por tragédias extremas, em especial por diversos “acidentes” com armas de fogo que resultaram em mortes de pessoas muito próximas.

Tenho certeza que quando me perguntarem a respeito de um contista notável o nome de Quiroga será um dos primeiros de que me lembrarei daqui para a frente. Seu texto é incisivo e eloquente, perfeito em sua construção, prende a atenção desde as primeiras linhas e faz a condução através dos parágrafos sucintos de uma atmosfera crua e tensa, sem, no entanto, nos deixar perceber extamente para onde estamos caminhando, até culminar em algum final chocante, arquitetado com maestria. Impossível ao leitor ficar indiferente. Em tempo, vou lhes dizer, há muito tempo eu não tinha pesadelos com algo que eu tenha lido antes de dormir…

Escrever contos, bons contos, é uma arte que pouco dominam verdadeiramente. Ao contrário de tantos por aí que parecem acreditar que contos são simplesmente histórias inacabadas, Quiroga sabia como conduzir e prender a atenção em poucas palavras. Injusto pensar que um nome de trabalhos tão bem feitos seja tão pouco lido e conhecido, mesmo aqui, na América do Sul…

Este post faz parte do Desafio Literário 2011, onde a tarefa para o mês de novembro é a leitura de livros de contos. Leia também a resenha de Histórias de Fantasmas, de Charles Dickens e Modo de Apanhar Pássaros à Mão, de Maria Valéria Rezende.

Contos de Amor, de Loucura e de Morte

Quiroga, Horacio

  • Editora: Abril (Clássicos Abril Coleções)
  • Categorias: Contos
  • Avaliação: ★★★★☆

Livro: Modo de Apanhar Pássaros à Mão, de Maria Valéria Rezende

Capa: Modo de Apanhar Pássaros à Mão, de Maia Valéria Rezende Comprei este livro por causa da minha incurável “compulsão por ofertas”: uma banquinha de livros à R$ 9,99 posicionada bem na frente de uma livraria que eu costumava frequentar para namorar livros. Nunca tinha ouvido falar na escritora (embora tenha descoberto, depois, que ela é autora de um elogiado romance entitulado O Voo da Guará Vermelha), mas gostei do título, gostei da capa… comprei. E é nesses momentos que agradeço por não conseguir resistir a este tipo coisa, Modo de Apanhar Pássaros à Mão é um verdadeiro achado!

Histórias de pessoas comuns, envolvidas em seu cotidiano, seus sonhos, suas lembranças, suas tragédias e seus dilemas, contadas com um estilo único que anda de mãos dadas com as emoções – emoções estas que a autora engendra brilhantemente com as palavras certas e que, justamente por serem tão pertinentes, conseguem nos tocar irremediavelmente.

Difícil explicar porquê os contos deste livro me tocaram tanto, simplesmente me pegou de jeito. Maria Valéria Rezende demonstra uma rara sensibilidade com histórias que flutuam por questões que deliberam sobre os mais diversos sentimentos inerentes à existência humana, em textos cativantes, tão etéreos quanto realistas.

Não dá para falar muito sem estragar a surpresa daqueles que pretendem ler o livro, por ora basta dizer que Maria Valéria Rezende é um nome que ficou marcado no meu caderninho de capa amarela e que com certeza buscarei conhecer outros trabalhos da escritora.

Este post faz parte do Desafio Literário 2011, onde a tarefa para o mês de novembro é a leitura de livros de contos. Leia também a resenha de Histórias de Fantasmas, de Charles Dickens.

Modo de Apanhar Pássaros à Mão

Rezende, Maria Valéria

  • Editora: Editora Objetiva
  • Categorias: Contos
  • Avaliação: ★★★★★

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