Mattia Pascal nasceu em uma família abastada na região da Ligúria, na Itália, mas não teve muita sorte na vida. Em um momento de desespero – atolado em dívidas, cercado por credores, preso a um emprego medíocre e tedioso, ignorado pela mulher e odiado pela insuportável sogra que vivia consigo – ele decide fugir e, caminhando sem rumo, chega a Monte Carlo. Uma manobra do destino acaba por causar uma reviravolta em seus planos, quaisquer fossem eles, Mattia ganha uma pequena fortuna nos cassinos ao mesmo tempo em que é dado como morto quando o confundem com um cadáver afogado encontrado em sua cidade. Acreditando na oportunidade de uma nova chance, Mattia abandona sua antiga vida e decide assumir uma nova identidade, com nova aparência e uma nova história de vida.
Eu nunca havia lido Luigi Pirandello antes, não tinha noção do que esperar ou do tipo de história com a qual me defrontaria, a experiência toda foi uma surpresa.
O primeiro aspecto com o qual me supreendi foi a linguagem bastante acessível do texto. Uma ideia pré-concebida? Sim, admito. Fato é que, de um romance publicado pela primeira vez em 1904, escrito por um ganhador do Nobel, considerado um clássico da literatura e tudo mais, acabo sempre esperando algo mais rebuscado e/ou difícil de ler. Veja bem, não estou dizendo que o texto é pobre ou simplório, bem pelo contrário, mesmo com as evidentes perdas ocasionadas por “trechos intraduzíveis” (o original foi escrito em italiano e nesta edição da Clássicos Abril Coleções recomendo fortemente a leitura das notas dos tradutores) vemos que Pirandello gostava de brincar com as palavras e com trocadilhos, tinha preocupação em encontrar os termos mais adequados.
O Falecido Mattia Pascal traz uma história envolvente que aborda temas que suscitam reflexões sobre o que somos, o que desejamos, podemos e conseguimos ser, a questão da identidade de um homem, e, a despeito de um certo clima de melancólica resignação, muito bem humorada – um tipo de humor peculiar, que facilmente imaginamos, por exemplo, no palco (para constar, Pirandello também escreveu peças de teatro).
Para mim foi mais uma descoberta proporcionada pelo Desafio Literário, leitura prazeirosa, profunda e divertida. Mais uma vez um clássico me fez ficar pensando: “por que, diabos, não li este escritor antes?”.
Este post também faz parte do Desafio Literário cuja tarefa para o mês de outubro é ler obras de ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura. Luigi Pirandello ganhou o prêmio em 1934.
Leia também a resenha de Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa.