Livro: Pedro Páramo, de Juan Rulfo
Publicado pela primeira vez em 1955, Pedro Páramo é o único romance do sucinto escritor mexicano Juan Rulfo (seu outro livro – Chão em Chamas, no Brasil – é uma coletânea de contos). A obra é considerada uma das mais importantes na literatura hispano-americana e relata o retorno de Juan Preciado à sua cidade natal para procurar o pai, Pedro Páramo, após a morte de sua mãe. Quando chega à pequena cidade, Juan Preciado fica sabendo que Pedro Páramo morreu há alguns anos e, em conversas com os moradores do local, vai descobrindo a história e o caráter do pai: um menino miserável que se tornou a pessoa mais poderosa da região por meio da crueldade e da violência.
Uma sequência de pequenos absurdos vão suprimindo os limites do sobrenatural, até que o leitor percebe – e creio que não corro o risco de gerar um spoiler aqui, uma vez que o fato é uma das características do livro mais frequentemente mencionadas – que as personagens estão mortas, embora não estejam conscientes de seu estado, condenados a vagar sobre a terra onde cometeram pecados não absolvidos antes de sua morte.
Juan Rulfo
É um romance curto, pouco mais de 100 páginas, mas não posso dizer que tenha sido uma leitura realmente rápida. A estrutura narrativa heterogênea, com o foco narrativo que se alterna entre a terceira e a primeira pessoa, alternando também a voz da personagem, em sequências atemporais que passam do presente ao passado sem uma distinção muito clara, exige um alto grau de concentração. Experiência singular: durante a leitura tive a sensação de que não estava entendendo muito bem, mas ao alcançar a última página fui tomada por aquele instante de suspensão que só os bons livros são capazes de causar.
Parece confuso no início, mas não é preciso muito para megulhar na árida melancolia de Comala. Um livro que trata de morte, solidão e desgraças, mas em nenhum momento se deixa cair no dramalhão. Poesia em prosa, palavras encaixadas no lugar certo e o típico silêncio que se reporta à alma. Extraordinário, acima de tudo, constatar como Juan Rulfo conseguiu, em tão poucas páginas, colocar tantas reflexões e tantas possibilidades interpretativas em minha cabeça.
Este post também faz parte do Desafio Literário 2012 e a tarefa para o mês de fevereiro é ler livros cujos títulos sejam nomes próprios. Leia também a resenha de Marina, de Carlos Ruiz Zafón.
Pedro Páramo
Rulfo, Juan
- Editora: BestBolso (Grupo Record)
- Categorias: Literatura Estrangeira, Romance Regionalista, Realismo Fantástico
- Título Original: Pedro Páramo
- Avaliação:




















Tatiana
10/02/2012 - 01:05
Vi que tu também está lendo Lolita!
Não conheço esse autor nem muito menos essa obra, mas sobre Marina, fiquei curiosa pra ler porque todo mundo resolveu lê-lo para o desafio… Como não tenho ele na estante no momento, deixei passar dessa vez :\
Boa leitura =)
Luma Kimura
29/02/2012 - 15:04
Pois é, Tati… eu aproveitei que já tinha o livro na estante (comprado em uma promoção, rsrs). Mas vale a pena sim, se tiver oportunidade, leia sim.
Sharon Caleffi
10/02/2012 - 11:40
Pedro Páramo é bom mesmo e cheguei a me arrepender de ter lido ano passado, pois é perfeito pro Desafio de fevereiro!
Boa resenha, Luma. Eu também demorei um tanto para ler e, em algumas partes, fiquei confusa… e tive meu “instante de suspensão”. Abração!
Luma Kimura
29/02/2012 - 15:05
Incrível como um livrinho tão sucinto pode ser tão rico e causar tanta comoção, não?
Michelle
21/02/2012 - 17:14
Fiquei sabendo desse livro há pouco tempo e logo fui atrás para adquirir. Comprei no mês passado, mas ainda não li. Esse lance das personagens mortas me fez ficar mais interessada ainda.
bjo
Vivi
26/02/2012 - 21:02
Sou super curiosa com relação a esse livro.
Luma Kimura
29/02/2012 - 15:26
Oi Vivi!
Lembra-se que este foi o que vocês me enviaram como brinde do Desafio Literário 2010? rs
Larissa
29/02/2012 - 22:26
Excelente resenha, Luma. Ainda não havia ouvido falar deste livro, mas fiquei com bastante vontade de ler.
Bjs!
Luma Kimura
29/02/2012 - 22:31
Se tiver a oportunidade leia sim, Larissa, a experiência vale a pena!