Livro: Mil Dias em Veneza, de Marlena de Blasi
Marlena de Blasi, americana de meia idade, trabalhava como crítica de gastronomia e jornalista, era chef e sócia de um café e já tinha dois filhos adultos quando conheceu um “estranho” durante uma de suas viagens anuais a Veneza. Poucos meses depois vendeu tudo o que tinha e se mudou para a Itália a fim de se casar com ele e iniciar uma nova fase. Mil Dias em Veneza é o relato autobiográfico dessa impetuosa reviravolta na vida da autora e de sua adaptação ao cotidiano de uma cidade pela qual é completamente apaixonada.
O amor de uma mulher e um homem, o amor por uma cidade cercada por um misticismo de tradição romântica, o amor pela boa comida. Sim, é uma bela história de amor, não nego os méritos de tudo isso, mas também não consigo dizer que o livro tenha me cativado completamente.
Não sei se consigo me fazer entender, ainda não tenho minhas impressões dispostas com muita clareza para mim mesma, a questão é que o tempo todo, por mais que a própria Marlena estivesse tentando se justificar e dizer o contrário, senti que ela estava se anulando. Deixar tudo para trás em nome do amor é lindo, fazer concessões faz parte de um relacionamento saudável. Mas qual é o limite?
Marlena e Fernando
© Arquivo de Marlena de Blasi
Talvez o ponto seja apenas este, a autora passa tanto tempo tentando explicar porquê está abrindo mão disto, disso e daquilo, tantas páginas demonstrando sua abnegação em prol do “momento difícil” pelo qual seu amado está passando, que a impressão que tive é de que ela precisava, acima de tudo, convencer a si mesma. Fico feliz que no final as coisas tenham dado certo para Marlena e Fernando, que eles tenham encontrado o equilíbrio e estejam juntos até hoje, vivendo nos lugares mais lindos da Itália.
Alguns trechos do livro são inspiradores, Marlena reflete sobre mudanças de um jeito sereno e ao mesmo tempo corajoso – embora nem sempre faça sentido com suas próprias atitudes. Verdadeiros insights foram anotados no meu caderninho de capa vermelha. Outros trechos, em compensação, conseguem ser absolutamente enfadonhos. Exercício de força de vontade para evitar a “leitura dinâmica” e o salto direto por diversas páginas.
Não é bem o tipo de leitura que realmente me empolga, mas é leve, dá para encarar numa boa. Opção para aquelas tardes de domingo cinzentas e chuvosas, quando tudo o que queremos é um cantinho sossegado e um livro morninho, para afagar de leve o coração.
Mais um livro lido para o Desafio Literário 2012 cujo tema para janeiro é Literatura Gastronômica. Leia também as outras resenhas já publicadas este mês: Fama à Mesa, de Fabiano Dalla, Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel, Clube do Jantar, de Jessie Elliot e Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl.
Mil Dias em Veneza
Blasi, Marlena de
- Editora: Sextante
- Categorias: Biografia e Memórias
- Título Original em inglês: A Thousand Days in Venice
- Avaliação:





Visions of Atlantis - Lost















Rafaela Marinho
30/01/2012 - 20:28
Oi Luma, esse também foi um dos livros que li para o DL. E ainda li tb Mil dias na Toscana. Entendo exatamente o que vc quis dizer na sua resenha, pois foi exatamente como me senti lendo o livro. Mas, realmente, o que me incomodou mais foi, depois de toda a mudança que ela fez na vida dela, depois de reformar todo o apartamento, Fernando tem uma “crise existencial” e ela tem que largar tudo novamente? Sei não… Mas, Mil dias na Toscana é um pouco melhor. Gostei mais.
Bjs
Luma Kimura
29/02/2012 - 14:53
Então, Rafa… essa sensação ficou mesmo bastante incômoda quando terminei de ler o livro, o suficiente para não me animar muito com o “Toscana”, pelo menos não de correr atrás do livro quando tenho tantas outras opções na estante. Quem sabe se surgir uma oportunidade?