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Livro: Chéri, de Colette

Capa: Chéri, de Colette Chéri foi considerada, em sua época, uma obra controversa e polêmica. O cenário é a Belle Époque de Paris, no início do século XX. Léa de Lonval, uma bela cortesã de meia-idade mantém um ardente romance com o jovem Chéri, filho de sua rival Madame Peloux. Ambos dedicam-se ao caso, por cerca de 6 anos, acreditando que o relacionamento se baseia puramente no prazer sexual: ela tem à sua disposição um amante fogoso e cheio de energia a quem pode ensinar os pormenores da arte do amor e ele, por sua vez, pode desfrutar o desejo de uma mulher experiente e poderosa. A situação muda quando, pressionado pela mãe, Chéri aceita se casar com uma jovem rica. Léa e Chéri percebem, só então, que o sentimento que os une é muito mais do que apenas luxúria.

“Não ligo a mínima para o fato de não ter sido seu primeiro amante! O que eu gostaria, ou melhor, o que teria sido… conveniente… limpo… seria ter sido o último”.

Posso dizer que minha experiência de leitura não foi das melhores e o principal motivo: não me adaptei ao estilo de escrita de Colette. Não digo que toda narrativa deva ter uma sinalização clara, específica e bem definida – eu gosto de estruturas experimentais – mas aqui tive muita dificuldade em encontrar o ritmo e me localizar. A sucessão em círculos, que a transpassa o tempo passado, o futuro e o presente sem quaisquer indicações, misturando tudo com personagens que surgem do nada para nada e diálogos um pouco afetados demais para o meu gosto, me fizeram ficar confusa e cansada.

Menos de 200 páginas, letras grandes, um bom espaçamento entre linhas, e eu simplesmente não conseguia avançar!

Não nego, porém, os méritos da obra, nem contesto aqueles que a consideram entre as mais representativas da literatura francesa. Dentre alguns pontos interessantes no livro eu destacaria a curiosa inversão de esterótipos e o exame irônico que Colette faz dos círculos sociais da época. O tom de falsete nos diálogos e uma atmosfera impregnada de veneno e escárnio, faz frente a um mundo que se vangloria de seu nível cultural e intelectual, mas tem a apresentação pessoal, as jóias e as posses que se possam exibir, como aspectos tão, ou mais, importantes do que os sentimentos que movem as pessoas.

A experiência é sempre válida, mas não creio que eu tenha pique para uma releitura ou procure outros livros da escritora para ler no futuro…

Este post também faz parte do Desafio Literário 2012 e a tarefa para o mês de fevereiro é ler livros cujos títulos sejam nomes próprios. Leia também as resenhas de Marina, de Carlos Ruiz Zafón, Pedro Páramo, de Juan Rulfo, Cândido, de Voltaire, Helena, de Machado de Assis e Lolita, de Vladimir Nabokov.

Chéri

Colette, Sidonie-Gabrielle

  • Editora:
  • Categorias: Literatura Estrangeira
  • Título Original: Chéri
  • Avaliação: ★★☆☆☆

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