Livro: Travessuras da Menina Má, de Mario Vargas Llosa
Travessuras da Menina Má conta uma história de amor deformado que começa no Peru, em meados da década de 50, quando Ricardo Somocurcio, ainda menino, conhece a “chilenita” Lily, apaixona-se quase instantaneamente e, pela primeira de muitas vezes, a perde de vista. Uma narrativa que se estende, entre encontros, desencontros e reencontros, através de países como a França, a Inglaterra e o Japão até os anos 90, na Espanha, descrevendo as muitas faces deste estranho caso de amor ao mesmo tempo em que pinta um formidável quadro das transformações políticas e sociais na Europa e na América Latina.
Pergunte-me se eu gostei do livro e minha resposta primária será um “sim e não“. Não é que eu queira ser evasiva, mas esta realmente seria a maneira mais simples e resumida de expressar o que senti durante a leitura: uma mistura quase indefinível de amor e ódio, compreensão, desprezo, pena e irritação.
Veja, acompanhar Ricardo por tantos anos e por tantos lugares diferentes é uma viagem fascinante. Travessuras da Menina Má é muito bem escrito, proporciona o prazer de saborear as palavras e as sentenças admiravelmente bem conduzidas, com um texto prende a atenção mesmo durante os longos monólogos introspectivos do personagem-narrador. A ambientação é cuidadosa, detalhadamente situada no tempo e no espaço e realmente nos faz sentir o espírito marcante das décadas descritas.
Sim, uma escrita primorosa, digna de um escritor merecedor de um Nobel de Literatura.
Meu revés é mesmo com os personagens principais. Ricardo e a menina má são exemplos muito perfeitos de pessoas que muito me irritam, na ficção e na vida real. Entendo que está justamente aí a essência do livro, afinal o título mesmo nos diz, estamos falando da “menina má”. Também entendo que eu é que sou uma tonta piegas por preferir histórias de amor com mais nuances de cor-de-rosa e azul claro e que justamente por ser tão torto é que o amor descrito aqui é mais realista. Mas como não ter vontade de dar uns bons tapas nesse bobalhão que se deixa manipular de tal maneira e nessa guria despiedosa que manipula, às vezes bastante cruelmente, aquele que lhe é tão devotado? Em alguns momentos eu ficava tão brava durante a leitura que precisava fechar o livro, dar um tempo, para só retomar quando a emoções estivessem mais controladas…
É um livro ao qual não se consegue ficar indiferente, mesmo que o principal sentimento despertado com relação ao casal principal seja, como no meu caso, algo parecido com irritação, raiva ou ódio. A maior prova do poder de um livro não é a certeza de que ele “causa” alguma coisa, qualquer coisa, em seus leitores? Bem, veredicto final: esta é uma leitura que vale a pena por ser tão envolvente e perturbadora ao mesmo tempo.
Este post também faz parte do Desafio Literário 2011 cuja tarefa para o mês de outubro é ler autores premiados com o Nobel de Literatura. O peruano Mario Vargas Llosa ganhou o prêmio em 2010.
Travessuras da Menina Má
Llosa, Mario Vargas
- Editora: Alfaguara
- Categorias:
- Título Original: Travesuras de una niña mala
- Site do autor: http://www.mvargasllosa.com
- Avaliação:




















Jussara
15/10/2011 - 11:59
Luma, adorei sua resenha! Eu sou fã da literatura de Llosa, mas As Travessuras da Menina Má não é o meu preferido e talvez uma das razões seja justamente porque eu detestei os dois personagens,rs Agora, temos que admirar um escritor que não faz qualquer concessão para deixar seus personagens mais simpáticos e nos faz ir até a última página mesmo com raiva, ódio e vontade de dar uns tapas em Ricardito.
abs
Jussara
Luma Kimura
29/10/2011 - 13:05
Ah, com certeza, Jussara. Esse é realmente um aspecto que me fez admirar muito o escritor!
Vivi
30/10/2011 - 10:03
A resenha é pra lá de instigante. Dá para ver como essa leitura lhe foi intensa e reflexiva…assim que é bom. Eu também gosto de romances de amor azulzinhos…rs
Luma Kimura
01/11/2011 - 10:55
Concordo com você, Vivi, assim é que é bom!