Livro: Quincas Borba, de Machado de Assis

Capa: Quincas Borba, de Machado de Assis Não chego a ser dessas que foge dos Clássicos da Literatura Luso-Brasileira tal como o diabo foge da cruz, no entanto é bem verdade que não é uma leitura muito frequente no meu dia a dia e que tenho bastante dificuldade em digerir alguns autores (José de Alencar é um exemplo, não nego o brilhantismo e a importância de sua obra, mas sempre peno horrores para terminar um livro dele!). Para a tarefa deste mês no Desafio Literário procurei por títulos de escritores que já li antes e tinha curiosidade em conhecer mais, o primeiro deles: Machado de Assis.

Quincas Borba foi desenvolvido originalmente no formato de folhetim para a revista A Estação e publicado no período de 1886 a 1891, sendo adaptado posteriormente para livro em edição do próprio Machado.

A história começa em Barbacena e conta a vida de Pedro Rubião de Alvarenga, um ingênuo ex-professor de primeiras letras que se torna discípulo e enfermeiro de Quincas Borbas (você deve se lembrar dele caso já tenha lido Memórias Póstumas de Brás Cubas) que por sua vez lhe apresenta o Humanitas, filosofia que defende a ideia de que a sobrevivência do homem depende de saber vencer os outros, onde só os mais fortes sobrevivem enquanto os fracos são manipulados e aniquilados pelos mais espertos. Rubião nunca chegou a compreender ou assimilar a filosofia.

Borbas, muito doente, acaba falecendo em casa de Brás Cubas e Rubião se descobre o herdeiro universal do filósofo sob a condição de cuidar de seu cachorro, também chamado Quincas Borba. O ex-professor decide começar vida nova e parte para o Rio de Janeiro, na viagem conhece Cristiano Palha e sua esposa Sofia. Desprovido de malícias, Rubião deixa-se levar pelas gentilezas do casal, muda para um palacete indicado por Palha e se apaixona por Sofia, que lhe dispensa olhares e cuidados.

Depois de muitos favores e empréstimos ao casal, Rubião não é mais capaz de se segurar e declara seu amor a Sofia, que o recusa e conta tudo ao marido. Palha, entretanto, não rompe com Rubião porque ainda tem planos de se apropriar do resto de sua fortuna.

O amor não correspondido por Sofia começa, aos poucos, a despertar a insanidade em Rubião. Louco, alienado e explorado pelos “amigos” Rubião morre sozinho e na miséria comprovando a tese do Humanitas.

Na contramão dos meus próprios preconceitos – sou obrigada a admitir – o romance traz uma linguagem bem acessível, de personagens cativantes e leitura fluida. Uma história com todas as características mais marcantes – pessimismo, ironia, senso de humor soturno – daquela que é conhecida como a segunda fase do escritor. E o estilo de narração é genial! Assumindo a posição de um escritor/narrador Machado de Assis faz comentários, externa opiniões, dirige-se diretamente ao leitor, uma manipulação que fez com que eu me sentisse, de certa forma, parte da história, uma leitora-personagem ou algo parecido.

Não vou me meter a “análises” mais profundas, a importância do escritor e de sua obra me inibem e eu me sinto incapaz para tanto. Só vou dizer uma coisa, quando termino a leitura de um romance deste nível sempre me pergunto: por que demoro tanto para ter a “coragem” de encarar um clássico? Nunca me arrependo quando o faço.

Este post também faz parte do Desafio Literário 2011 cuja tarefa para o mês de agosto é ler clássicos da literatura brasileira.

Quincas Borba

Assis, Machado de

Sonata Arctica - Everything Fades to Gray

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