Livro: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

Capa: O Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto O Triste Fim de Policarpo Quaresma é considerado um dos principais romances pré-modernistas brasileiros. Escrito por Lima Barreto, foi publicado em meados de 1911 no formato de folhetim no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro e lançado como livro quatro anos depois.

O romance é dividido em três partes e conta a história de Policarpo Quaresma, brasileiro, nacionalista e patriota ao extremo, cujo idealismo ferrenho acaba transformado em motivo de estranhamento e chacota.

A primeira parte se passa no Rio de Janeiro, onde Policarpo é conhecido como Major Quaresma – embora não tenha direito à patente – e trabalha como funcionário público, dedicando todo o seu tempo livre a estudos detalhados sobre o Brasil. Quando começa a aprender o idioma Tupi, ele redige um requerimento à Câmara solicitando a adoção do Tupi-Guarani como idioma oficial no país. Fortemente ridicularizado, o Major acaba perdendo o emprego e, sem ter quem o apóie, sofre um colapso mental.

Na segunda parte Policarpo adquire uma pequena propriedade rural no município de Curuzu. As pessoas passam a acreditar que ele esteja curado, mas este é, na verdade, mais um dos projetos de Policarpo que vê na agricultura o alicerce de crescimento para o país. Contudo ele não demora muito a se decepcionar com tantos impedimentos, a terra que não era tão fértil como ele imaginava, o excesso de pragas, o retorno financeiro insuficiente para novas plantações e os inimigos poderosos que ganhou com a recusa em tomar parte de negociatas da corrupção local.

Mais tensa do que as anteriores, a terceira parte narra a chegada de Policarpo à Capital Federal durante a revolta da Armada, onde ele decide “lutar pela Pátria” juntando-se a uma batalhão de artilharia. Desiludido com o que testemunhou durante o período de combate e revoltado com a injustiça do método arbitrário de escolha dos prisioneiros a serem executados, Policarpo escreve uma carta ao presidente Floriano Peixoto denunciando a situação e acaba preso, acusado de traição.

A linguagem bastante próxima à popular e os trechos cômicos dão uma certa leveza à uma narrativa essencialmente amarga e repleta de críticas a diversos aspectos da sociedade e, mais duramente, ao positivismo e o poder político da época.

Não posso dizer que este tenha sido um livro que eu tenha tido facilidade em acompanhar, tive que lutar contra o sono e retomar várias páginas que simplesmente “abstraí” durante a leitura, mas com certeza já tive dificuldades maiores antes. A leitura vale a pena pelo seu valor literário, pelas discussões suscitadas. Acredito, sinceramente, que teria aproveitado mais se tivesse um conhecimento mais aprofundado deste período da história do Brasil já que muitas das críticas parecem ser bem direcionadas – Lima Barreto foi um crítico bastante ácido dos poderosos de seu tempo. No mais, a leitura de um clássico quase sempre é um acréscimo, não? ;)

Este post também faz parte do Desafio Literário 2011, cuja tarefa para o mês de agosto é ler clássicos da literatura brasileira.

Triste Fim de Policarpo Quaresma, O

Barreto, Lima

  • Editora: Fundação Biblioteca Nacional (versão pdf)
  • Categorias: Literatura Brasileira, Romance
  • Avaliação: ★★★☆☆

Produtos Relacionados

Comentários (6)

Deixe um comentário





Atividades recentes no blog

Últimos comentários

Últimos linkbacks

  • Nenhum linkback encontrado.