Dois Anos

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Disseram-me, muitas vezes, que o primeiro ano é o pior. Agora concordo. Essa mania – tola? – que temos de dividir a vida em ciclos. O primeiro ano sem papai, a primeira vez que cada pequena tarefa do cotidiano se mostrou desfalcada, o primeiro Natal, o primeiro aniversário, o primeiro dia dos pais… os “primeiros” marcados pela ausência. No início tudo é mais difícil.

Dois anos hoje. A dor não é mais a mesma, não é mais fraca, não desaparece, é apenas… diferente. A lembranças deixam de machucar tanto, ainda choro sim, vez ou outra também me deixo sorrir. A saudade… ah, esta só faz crescer a cada dia, mas podia ser diferente? Nem quero que seja. Em algum momento indefinível comecei a aprender que nada disso precisa se resumir a uma dolorosa e sombria melancolia. Hoje, saudade é para mim, o sopro sereno e adocicado da certeza de que tudo o que foi belo não se perdeu.

Papi e Mami

Amo esta foto. Foi tirada em 2008, durante nossa última viagem em família com papai.

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Comentários (10)

  • Ana

    Que bom que você encontrou alguma paz, Luma. Não posso imaginar como deve ser difícil perder um pai. Abraço forte!

    20/10/2011 - 00:52

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    • Sim, Aninha… com o tempo a gente precisa encontrar um pouco de serenidade, não é? Obrigada pela força!

      29/10/2011 - 13:29

      Responder

      Luma Kimura

  • silvana sumita

    Prima te admiro muito pela forca que vcs tem,nao deve ser facil,perder uma pessoa querida,uma figura muito importante em nossas vidas,mas que bom,que vc esta mais confortada.Espero que vcs consiga todos os objetivos…Beijos da prima Megumi….

    20/10/2011 - 08:00

    Responder

  • Luma,
    Não lhe conheço pessoalmente, nem posso sentir o tamanho da sua dor, assim como a Ana.
    Achei muito legal o que tu escreveste, principalmente com relação a saudade. Também acredito que a verdadeira saudade não é de todo ruim. Um grande beijo!

    20/10/2011 - 14:28

    Responder

  • Juliana Pena

    Lumaaaaaaaaaaa! (me emocionei aqui)
    Em agosto completou-se 3 anos que o meu papai se foi tb.
    E nossa, tudo que vc escreveu aqui é o que realmente penso, sinto e tenho vivido.
    Nossa, juro que tenho uma vontade enorme de conversar mais e mais com vc quando vejo que temos muitas coisas em comum.

    Que Deus sempre conforte nossos coraçõeszinho e que essa SAUDADE seja sempre a certeza de que tudo foi vivido com intensidade antes da partida.

    Beijos querida! ♥

    25/10/2011 - 01:12

    Responder

    • A gente ainda vai se encontrar e trocar todas essas impressões, pessoalmente, querida. Pode acreditar! ;)

      Obrigada pela força de sempre, amiga!

      29/10/2011 - 13:32

      Responder

      Luma Kimura

  • OI Luminha

    Também fez dois anos que perdi o meu pai, só que ao contrário de vc, eu sinto que ainda não superei. Acho que ainda estou naquela fase da aceitação, sofro todos os dias por pensar que, sei lá, eu poderia ter cuidado mais dele…acho que esse sentimento de impotência vai estar sempre presente. Luto apenas para que eu siga tentando ser feliz sempre.
    Um beijão e continue firme e forte

    14/11/2011 - 17:38

    Responder

    • Oi Delminha,

      Sabe que eu mesma pensei que demoraria mais para conseguir “aceitar”… acho que é muito de cada um, né? Acho que uma das coisas que me ajudou foi que, apesar de ter tido algumas fases de distância e estranheza, nos últimos anos eu estava mais próxima de meu pai… enfim. Só sei que nunca seria suficiente, mesmo que a companhia de meu pai ainda durasse muitos e muitos anos, sempre seria cedo demais, sempre haveria tantas coisas por fazer… como você disse: o sentimento de impotência vai estar sempre presente, então sigo tentando pensar em bons momentos, estes sim valem a pena sempre.

      Mas viva o seu tempo, curta a sua dor (se é que posso falar assim), a serenidade vai se instalando aos pouquinhos… =)

      Força, querida.

      Beijos!

      23/11/2011 - 22:42

      Responder

      Luma Kimura

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