Livro: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Capa: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley Ano 634 D.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade – os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de ‘pai’ e ‘mãe’ são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia – acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo.

[sinopse retirada do catálogo da Globo Livros]

Não foi difícil compreender por que a obra prima de Aldous Huxley tornou-se um clássico da literatura, Admirável Mundo Novo é mesmo um livro marcante. Que fique claro: não pretendo entrar nos méritos da discussão sobre o que faz de um livro um clássico, nem mesmo considero que eu tenha propriedade para tanto, estou apenas compartilhando minhas impressões pessoais durante a leitura e este foi um livro que me impressionou desde as primeiras páginas.

Visionário, sinestésico, irônico, o livro aborda temas que refletem a preocupação de Aldous Huxley com as questões da liberdade individual, o autoritarismo do Estado, a busca dirigida pela felicidade, bem como o fascínio pelo “diferente” e as consequências de se tentar condicionar os aspectos mais profundos e instintivos do ser humano.

Huxley parece ter buscado atingir os limites da realidade de uma época e conseguiu uma narrativa até hoje atemporal. Embora tenha tido como alicerce os eventos e pensamentos de seu tempo, quem é que pode negar que as ideias apresentadas sobre linhas de montagem, produção em massa, cultivo de seres vivos em laboratório, consumismo levado aos extremos, uso de drogas para a manutenção do bem-estar, condicionamento da grande massa, são ainda atualíssimas?

Uma narrativa extremamente lúcida que me surpreendeu pela linguagem acessível – a despeito de tantos neologismos, que se molda e se transforma a cada capítulo e consegue divertir sem perder a profundidade dos assuntos abordados e sua carga crítica, convite à reflexão e a discussões. Altamente recomendado. ;)

Este post também faz parte do Desafio Literário, cuja tarefa para este mês era ler um clássico da literatura universal.

Admirável Mundo Novo [recomendado]

Huxley, Aldous

  • Título Original em inglês: Brave New World
  • Editora: Globo Livros
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Ficção Científica, Distopia
  • Avaliação: ★★★★☆

P.S. do P.S. do P.S.

ico_livro Infelizmente a leitura do livro reserva deste mês – Lolita, de Vladimir Nabokov – vai ficar para outra ocasião. Março foi mais um mês atribulado por aqui e o ritmo das minhas leituras está um pouco mais lento, preferi voltar minha atenção para livros de outros projetos e já começar a ler o escolhido para o mês de abril…

Joe Hisaishi - Kuchu Sanpo (Howl's Moving Castle Soundtrack)

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