Question marks

Tenho dormido mal. Noites povoadas por sonhos buliçosos que chegam durante o silêncio abafado da madrugada para ramalhar meus pensamentos. Sonhos travessos.

Dentro deles sou a espectadora assistindo a versões alternativas de minha própria vida. Cenas de caminhos tão plausíveis que muito bem poderiam ser a realidade se eu tivesse, em algum momento de um passado não muito distante, escolhido outros atalhos. Sentimentos e decisões que começam a desvanecer com o toque do despertador e vão se diluindo, pouco a pouco, entre os relatórios, memorandos e linhas de código de um dia de trabalho.

Ao final da tarde o que resta é a sensação de que estou deixando passar alguma coisa importante…

… e então a desordem, o caos, o turbilhão, os pontos de interrogação preenchendo todo e qualquer espaço de respiro entre as ideias desorganizadas.

É quando os fones de ouvido ganham status de melhor amigo e o cansaço se transforma na desculpa perfeita para não precisar dizer nada, ainda que a cabeça esteja prestes a explodir.

Às vezes abro a boca para perguntar qualquer coisa.

Mas ainda não sei o que perguntar… e engulo o soluço para ganhar tempo.

“Baby, you’ve been going so crazy
Lately, nothing seems to be going right
Solo, why do you have to get so low
You’re so… You’ve been waiting in the sun too long”

[ Travis - Sing ]

Percebi, com um susto, que outubro já está à soleira da porta. Percebi que, mais uma vez, estou lutando pateticamente contra superstições idiotas e, com isso, só consigo deixá-las ainda mais fortes.

Anathema - Forgotten Hopes

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