Filme: O Som do Trovão

Pôster: O Som do Trovão

Baseado em um conto do escritor Ray Bradbury o filme traz uma história futurista no ano de 2055, quando o esporte preferido de ricos executivos dispostos a gastar uma bela fortuna em troca de fortes emoções é voltar no tempo para caçar dinossauros. Para que a viagem seja realizada algumas regras básicas jamais podem ser quebradas: o passado nunca deve ser alterado e nenhum objeto, vivo ou morto, por mais insignificante que possa parecer, pode ser trazido do passado, uma vez que isso poderia resultar em uma cadeia de alterações no espaço-tempo tão violenta quanto inimaginável. Então, o acidente. Um imprevisto faz com que uma dessas viagens não corra conforme o planejado, estranhos eventos começam a acontecer no tempo atual (do filme, claro) obrigando a equipe de viagens, liderada pelo Dr. Travis Ryer (interpretado por Edward Burns), a correr para descobrir o que aconteceu e restabelecer a ordem antes que ondas temporais, causadas pela corrente de alterações acumuladas no decorrer de milhões de anos, impeçam de uma vez por todas que eles possam remediar a situação.

O conto de Bradbury é tido como um clássico das histórias sobre viagens no tempo e um dos percursores na idéia do efeito borboleta já explorado em mutos filmes e de fato, embora minha pobre sinopse no parágrafo anterior não tenha sido muito feliz na empolgação, soa fascinante. O cara na locadora, sem muito esforço, conseguiu nos enganar convencer direitinho. É uma pena que todo o fascínio inicial de uma idéia primorosa – que apesar de já ter sido abordada tantas vezes em diversas produções ainda oferece muito a ser explorado pela sua complexidade – tenha sido tão mal aproveitada na pretensa superprodução.

Cena: O Som do Trovão

O Som do Trovão é um bom exemplo de como transformar um argumento interessante, de uma história que poderia ter muitos meandros e facetas bem desenvolvidas, em uma reles desculpa para cenas de ação medianas a fracas. Não prende a atenção, não nos faz sentir o drama dos personagens e, ao final, não se justifica, não convence e ainda apela para soluções clichés na falta de algo melhor preparado para preencher as lacunas.

O filme também apresenta sérios problemas no quesito “defeitos especiais”. Um trabalho visual mal-acabado, difícil de engolir. Já assistiu Chapolin Colorado? Sabe aquelas cenas em que o Vermelhinho toma uma pílula encolhedora ou sai voando em cima de um asteróide? Pois é, algo parecido. Acontece que na série humorística mexicana, criada em 1970, repito: 1970 (!), o “estilo” funciona, os (d)efeitos mesclam-se ao senso de humor da coisa e no final o resultado são apenas risadas a mais. Aqui, incomoda. Um amigo ainda veio para cima de mim com um papo sobre a possibilidade do “troço” ser proposital, no maior estilo Capitão Sky e o Mundo de Amanhã! Desculpe, mas comigo não funcionou.

Decepcionante, para dizer o mínimo. Uma dessas produções que nem a presença de nomes interessantes como Edward Burns e Ben Kingsley no elenco salvam.

Update

Sugestão da amiga Analu: uma versão completa e ilustrada do conto pode ser lida aqui. Infelizmente, apenas em inglês…

Som do Trovão, O

A Sound of Thunder, 2005

  • Direção: Peter Hyams
  • Origem: EUA, Alemanha, República Tcheca
  • Gênero: Aventura, Ação, Ficação Científica
  • Elenco Principal: Edward Burns, Armin Rohde, Catherine McCormack, Ben Kingsley
  • Site: http://asoundofthunder.warnerbros.com
  • Cotação: ★☆☆☆☆

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