Tia Cecília

A notícia veio por telefone, tarde da noite, na segunda-feira: minha tia, irmã de meu pai, havia acabado de falecer…

Ela tinha diabetes, alguns outros problemas de saúde, mas não sabíamos de outras complicações pelas quais ela vinha passando nos últimos tempos, nossa reação foi mesmo de choque, surpresa. Infarto fulminante. Mesmo meus primos, filhos dela, que já estavam um pouco mais cientes da situação custaram a acreditar em um primeiro momento. A segunda de 9 irmãos. 63 anos, 5 filhos, netos.

Na terça-feira pela manhã minha família e nos reunimos com parentes vindos de outras cidades e estados na casa de minha avó em São Paulo e mais tarde seguimos todos para Biritiba-Mirim, onde ela seria velada e depois, na quarta-feira pela manhã, enterrada junto com o marido, falecido já há cerca de 25 anos. Noite longa, encarando as temperaturas mais baixas do ano encolhidos dentro do carro, tentando dormir para encarar a estrada novamente no dia seguinte, brigando por um cantinho debaixo do único cobertor que tínhamos disponível na hora. Sempre vejo velórios como uma espécie de reunião familiar meio bizarra, onde situações extremas e contraditórias se encontram em um ambiente de sentimentos delicados… mas um dia ainda falo melhor sobre isso.

Depois de meus avós maternos é a parente mais próxima da qual eu conscientemente me despeço… Sensação estranha, situação estranha. Eu ainda tenho muito o que evoluir antes de conseguir encarar a morte com verdadeira serenidade. “Esperadas” ou não essas notícias de morte nunca me parecem suaves, mensagens belas e elevadas nunca me parecem consolo suficiente e o “nunca mais em vida” soa demasiadamente longo e ausente a meus ouvidos. Momentos em que não sei o que fazer, o que dizer, o que pensar ou sentir. Nem mesmo para meus primos pude dizer qualquer coisa, uma frase enlatada sequer. Só um abraço silencioso serve?

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