O que eu escrevo, o que eu escrevo?
Cansei! Decidi dar um fim nessa maldita fase de falta de inspiração! Coisa feia Lú, logo você que sempre teve essa compulsão por escrever, escrever e escrever!
Seguro firme a caneta e encaro o papel em branco à minha frente. Isso mesmo, caneta e papel, porque eu ainda escrevo tudo no papel antes de passar para o computador. Paperless não é comigo, monitor me encarando é broxante de idéias e se alguém tiver alguma coisa contra que ligue para o 0800 e encaminhe seu ofício para o Serviço de Atendimento ao Consumidor.
Sobre o que escrever? Eu podia falar sobre o… não, não… e se eu falasse da… hum… não… sobre… sobre… o… sobre o quê?
Bem, eu sempre sinto uma ponta de culpa por não falar nada a respeito da atualidade, do que anda acontecendo no país, no mundo. Boa hora para suprimir essa sensaçãozinha incômoda. Tenho noção de que nem de longe eu posso ser considerada a antenada das antenadas, mas também não sou uma completa alienada. Sou capaz de escrever alguma coisa decente sobre o mundo em que vivo! Sei que sou, tenho que ser!!! Mas… de repente percebo que não quero falar de terrorismo, não quero falar sobre o preço do barril do petróleo, não quero falar sobre os conflitos na faixa de Gaza, não quero falar sobre minha indignação ante o absurdo lançamento do CD da “Çolange” do Big Brother, não quero falar sobre o auê babaca que fizeram a respeito de um certo correspondente internacional, não quero falar sobre o que o nosso presidente faz ou deixa de fazer na China, não quero falar sobre a vitória da nossa seleção de futebol sobre a seleção da Catalunha, não quero falar do quanto acho ridículo esse negócio de cotas na universidade.
Tá. Desencana desse negócio de atualidades. Eu não sirvo pra isso. Pelo menos não por agora.
Quer saber, vou falar de mim mesma, do que estou sentindo. E o que estou sentindo? … … … Nada… estou tão… tão… tão normal!!!
Não! Minto. Não estou normal. Estou desesperada! Com uma vontade doida de escrever alguma coisa e não consigo!
Esquece o blog. Vou responder e-mails, que eu ganho mais. Alguns amigos estão esperando resposta há… deixe-me ver… meses!
Hum… a última vez que escrevi para o Otto, um amigo que estuda em Cuba, a faculdade tinha acabado de entrar em greve. Março. É isso, vou escrever para o meu amigo Otto! Conto que a greve finalmente acabou e… e… e o que mais? Poxa, ele é um cara tão cabeça… vai achar muito ridículo um e-mail tão ridículo.
Apaga tudo isso. Não adianta mesmo tentar forçar a barra. Inspiração tem vida própria, humor de lua e personalidade independente demais pro meu gosto. Vou é viver um pouco agora. Quem sabe depois eu tenha algo de interessante para contar…














