Atitude?
Para mim elas não eram mais do que duas garotas sem nada na cabeça querendo fazer pose de bad girls. Deviam ter uns 12 ou 13 anos, vestidas de maneira agressiva, fingindo querer se jogar na frente dos carros que passavam, fazendo caretas e gritando para assustar os motoristas, achando graça quando eles eram obrigados a desviar delas.
Eu assistia à toda aquela cena do carro, parada no semáforo e sabia que quando o sinal abrisse teria que passar por alí… e estava mesmo passando, quando uma delas “se jogou” na frente do carro. Não desviei. Não diminui a velocidade até chegar muito perto e freei de repente, olhando fixamente para ela.
Os faróis do carro iluminaram a maquiagem over e as olheiras mal-pintadas dela. Nos olhos havia medo.
Medo de quê? De ser atropelada? Então que diabos tá fazendo aí, guria?!?!?
Não, eu não disse isso… só pensei… mas foi como se ela tivesse ouvido… Meio bobona e sem graça ela saiu da frente. Engatei a primeira de novo e fui saindo devagar… quando já estava chegando na esquina, a outra garota, mais invocadinha, gritou:
– Qualé meu? Não respeita duas pessoas de atitude?
ATITUDE?!?!?! Pára, pára, pára! Pára o mundo que eu quero descer! Ó céus, como eu pude viver até hoje em tamanha alienação? Sem saber que “isso” é ser uma pessoa de atitude?
Falando sério… Problema nenhum quanto ao que cada um quer vestir… que tipo de maquiagem quer usar… Que cada um seja o que quiser ser, desde que seja autêntico nisso… Curte um estilo mais pesado ou gótico de ser? Ótimo! Eu também curto… Só acho que muita gente anda confundindo um bocado as coisas, chamando de “atitude” o que a mim, mais parece um certificado público de criancice babaca, assinada e comprovada por testemunhas. Se jogar na frente dos carros daquela maneira, à noite, em uma rua escura pra provar o quê?
Tudo bem, eu concordo que analisar a situação não é tão simples assim, há muito mais coisa envolvida, muito mais a ser considerado… Também não estou dizendo que todo mundo deva concordar comigo, é só minha opinião. O fato é que fiquei revoltada com a noção de “atitude” que a menina tinha…














