Você precisa de mim?

A desculpa é sempre a mesma de sempre: a correria do dia-a-dia. Eu levanto às 7:30h., troco de roupa correndo, escovo os dentes, engulo um copo de café preto e saio pro serviço correndo. Geralmente chego em cima da hora e aproveito o momento em que o computador está ligando para passar o batom. Almoço no departamento mesmo. Saio às 17h., volto correndo pra casa, como alguma coisa às pressas e saio de novo, sempre correndo, afinal ainda tenho quase 1h de viagem até a facul em Americana. Normalmente chego em casa outra vez depois das 23:30h. e cansada, não faço muita coisa além de tomar um bom banho e cair na cama outra vez…

Estou falando tudo isso não pra comentar o estresse da minha rotina ou o meu estilo de vida pouco saudável. No fundo é pra tentar justificar e amenizar um certo sentimento de culpa que tomou conta de mim quando eu estava lendo o blog da minha irmã durante o horário de almoço há alguns dias… Lendo o blog, descobri que ela estava não estava passando por uma fase boa, que andava sofrendo e me passou pela cabeça: “Por quê, morando na mesma casa e me considerando amiga dela, eu só descobri isso pelo blog? Por que ela não me disse nada?

Aí é a vez da cena clássica do filme que passa diante dos nossos olhos: lembrei de todas as vezes que alegando cansaço deixei de dar atenção a ela, ou às pessoas à minha volta. Milhões de outras coisas passaram pela minha cabeça e eu poderia ficar horas aqui filosofando sobre os milhares de motivos que fazem com que a gente se esqueça das pessoas que estão mais perto da gente, mas eu sei que nada disso poderia justificar minha falta de atenção para com as pessoas que amo. Decidi afinal, que o cansaço, o estresse, seja lá qual for o motivo, ou a desculpa, nunca pode ser maior do que a necessidade que as pessoas têm da nossa presença, não simplesmente física, mas verdadeiramente real.

Angra - Deep Blue

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