O que muda com o tempo…
O Fábio foi o meu grande companheiro por muito tempo. Nos conhecemos na época do colegial, era um amigo pra todas as horas: para as baladas, para as tardes de domingo cheias de tédio, para o papo de final de noite, para aquelas noites em que ninguém mais estava afim de sair, para rir muito, para falar bobeiras até dizer chega… Então terminamos o colegial, nossas vidas nos levaram por caminhos diferentes e aos poucos fomos perdendo contato, fui morar em Americana, voltei para Indaiatuba, comecei a trabalhar… Mesmo os telefonemas foram ficando cada vez mais raros… hoje em dia é muito difícil nos falarmos…
Semana passada fui fazer a listinha dos cartões de natal que tenho que escrever esse ano e remexendo a caixa de cartões recebidos nos anos anteriores bateu a dor na consciência: tanto tempo sem mandar sequer um alô… e eu fui visitar o meu amigo.
Depois de alguns poucos minutos de conversa recheada com algo do tipo “e aí, o que você tem feito da vida?”, me toquei que simplesmente não temos mais papo… não há mais o que conversar… Fiquei tentando me lembrar o que tanto tínhamos pra falar na época da escola, que agora não existe mais… Foi-se o período que um simples tropeção numa pedra era novidade para contar quando nos encontrávamos.
Quando os períodos vagos de silêncio começaram a ficar de fato constrangedores eu me levantei e disse que precisava ir embora. Voltei pra casa sentindo feliz por ter reencontrado meu amigo, mas me sentia também um pouco triste. Por um descuido bobo nossa amizade não é mais a mesma e a sensação que me deu é que nunca mais será…
Stratovarius - I'm Still Alive














