Livro: Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo

Capa: Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo Em Olhai os Lírios do Campo acompanhamos a história de Eugênio Fontes, que teve uma infância difícil, marcada pela pobreza e pelas humilhações. Determinado a se livrar da vergonha da miséria de sua família, ele consegue, com muito sacrifício, formar-se em Medicina, mas na ânsia de alcançar uma posição na sociedade ele se casa por interesse com Eunice, em detrimento de seu verdadeiro amor por Olívia.

Meu palpite é de que este é um livro cuja experiência de leitura vai tomar proporções e características diferentes dependendo do estado de espírito do leitor. Consigo me imaginar profundamente tocada se eu o tivesse lido, por exemplo, em meados de 2010, época em que, por uma série de motivos que não vêm ao caso agora, eu andava equilibrando minhas emoções sobre uma corda bamba, debatendo comigo mesma questões bastante próximas às apresentadas no livro.

Não foi bem o caso agora. Vi no romance um painel social típico, com mensagens claras sobre os efeitos do capitalismo sobre os homens, repleto de personagens marcados pelos mais antigos conflitos humanos que representam papéis públicos enquanto lutam internamente para conciliar os desejos do coração e o medo da mediocridade. Um panorama de vastas possibilidades dramáticas, melancólico e belo, forte e ao mesmo tempo delicado, mas… bem, um pouquinho sentimentalista demais para meu gosto e meu momento pessoal, especialmente na primeira parte.

No mais, achei bem interessante a maneira como Érico Veríssimo construiu a narrativa, separando-a em duas partes e navegando entre o tempo presente e o passado, de maneira que ficam evidentes os contrastes de cada momento na vida de Eugênio.

Mais do que um romance de apelo emocional, Olhai os Lírios do Campo traz uma forte crítica ao arranjo social que encoraja futilidades, status e riquezas, e gera tanta hipocrisia nos relacionamentos.

Muito obrigada, Dri!

E este foi mais um livro lido para o item 25 da minha lista de 101 coisas e esta fpo a recomendação da Dri Ornellas, do blog A Menina do Fim da Rua. A Dri nem me “conhecia” há tanto tempo assim, mas foi um doce de pessoa e logo se prontificou a me ajudar.

Muito obrigada pela colaboração com o meu projeto, Dri!

Olhai os Lírios do Campo

Veríssimo, Érico

  • Editora: Companhia das Letras
  • Categorias: Literatura Nacional, Romance
  • Avaliação: ★★★☆☆

Avantasia - Runaway Train

Livro: Excalibur, de Bernard Cornwell

Capa: Excalibur, de Bernard Cornwell Excalibur (publicado com o mesmo título no Brasil) é terceiro e último livro da trilogia The Warlord Chronicles, em que Bernard Cornwell nos apresenta uma versão historicamente possível dos mitos arturianos. Chave de ouro para fechar a saga com a força que só as boas sagas carregam.

Pode ser que eu já me encontrasse no ritmo certo depois de ler os 2 primeiros volumes, talvez Cornwell realmente tenha a habilidade de prender o leitor com seu texto de qualidade incontestável, mas é fato que embora todos os volumes sejam bastante volumosos não houve muito espaço para o cansaço, fui com-ple-ta-men-te absorvida pela trama.

Este último me pareceu o mais intenso dos três livros. As batalhas são mais sangrentas, os conflitos mais severos, os sentimentos mais explosivos, as atitudes mais impulsivas. Os anos vão passando e os personagens estão bem mais envelhecidos, muitos deles já não têm o mesmo vigor, ainda assim a narrativa tem muita força. E, finalmente, descobri porque Derfel encontra-se na posição em que está quando começa a contar a história – estou me perguntando sobre isso desde as primeiras páginas!

A história de Arthur não é de todo desconhecida mesmo para aqueles que nunca leram qualquer uma das versões, ainda assim vou evitar um post muito longo para não deixar escapar spoilers já que a graça aqui está justamente nas arranjos do autor para tornar a história mais plausível e coerente.

Se você não tem medo de um grande volume de páginas e gosta de sagas épicas, aqui está uma trilogia recomendadíssima. ;)

Excalibur

Cornwell, Bernard

  • Série: The Warlord Chronicles #3
  • Editora: ePenguin, versão Kindle
  • Categorias: Literatura Estrangeira, Romance Épico
  • Título na edição brasileira: Excalibur (Record)
  • Site do autor: http://www.bernardcornwell.net/
  • Avaliação: ★★★★☆

Within Temptation - Faster

Livro: Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl

Capa: Conforte-me com Maçãs, de Ruth Reichl Ruth Reichl, que já foi crítica de restaurantes do The Los Angeles Times e do The New York Times (1993 a 1999), além de editora chefe da Gourmet Magazine (1999-2009), é considerada hoje uma referência entre escritores de gastronomia no mundo. Conforte-me com Maçãs é um relato com bases autobiográficas que começa com sua resolução de deixar para trás o trabalho como cozinheira do restaurante The Swallow para se tornar crítica de gastronomia, ainda que toda a sua família desaprovasse a mudança.

Só depois da leitura, quando fui fazer algumas pesquisas para a resenha, é que fui descobrir que este livro é precedido por um outro – A Parte Mais Tenra – e seguido por Alhos e Safiras, ambos também parte das memórias da autora, mas não creio que o fato de não ter lido o primeiro tenha causado muitos prejuízos ao entendimento dos fatos narrados aqui.

A inexperiência e as dificuldades do início de uma nova carreira, as viagens por diversos países do mundo – da clássica Paris a exótica Tailândia, a busca por refeições memoráveis e sabores inigualáveis, os problemas familiares, as dúvidas, os medos, os sonhos, tudo é narrado em tom de descontração, em uma leitura tão agradável que (com o perdão do trocadilho) devorei o livro quase sem me dar conta.

Uma das coisas que mais me empolga é ver a paixão ardendo nas pessoas e esse é um aspecto que fica muito claro no livro. Ruth é profundamente apaixonada pelos prazeres da boa comida, dos sabores e dos aromas, e coloca tudo isso em palavras que conseguem nos transmitir as sensações em seus mínimos detalhes. As analogias e metáforas que ela utiliza para descrever suas experiências com os diferentes pratos ao longo do livro são espirituosas e divertidas, as melhores que já li em livros do gênero, é quase como sentir o que ela sentiu, ainda que eu sequer tenha ouvido falar em grande parte das receitas e ingredientes citados.

Se eu fosse considerar Ruth como uma personagem fictícia diria que não simpatizei completamente com ela, de vez em quando ela toma umas atitudes para as quais eu simplesmente não pude deixar de torcer o nariz, mas no final das contas este acabou se tornando, para mim, um bom exemplo de um livro com o qual não precisamos “concordar” plenamente para ter uma boa experiência de leitura.

Mais um livro lido para o Desfio Literário 2012, cujo tema para o mês de janeiro é Literatura Gastronômica. Leia também as resenhas de Fama à Mesa, de Fabiano Dalla Bona, Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel e Clube do Jantar, de Jessie Elliot.

Conforte-me com Maçãs

Reichl, Ruth

  • Editora: Objetiva
  • Categorias: Biografia e Memórias, Gastronomia
  • Título Original em inglês: Comfort Me with Apples
  • Site do autor: http://www.ruthreichl.com/
  • Avaliação: ★★★½☆

Within Temptation - Utopia

Filme: O Escafandro e a Borboleta

Cartaz: O Escafandro e a Borboleta O Escafandro e a Borboleta conta a história verídica de Jean-Dominique Bauby, jornalista e escritor francês, editor da revista Elle, que aos 43 anos sofreu um grave AVC e entrou em coma. Ao acordar, 20 dias depois, descobriu que havia perdido a fala e os movimentos do corpo, restando-lhe apenas a capacidade de piscar o olho esquerdo, embora sua mente continuasse perfeitamente lúcida – uma condição muito rara, conhecida como síndrome do encarceramento.

Recusando-se a ficar à margem do mundo, Bauby aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto por um método desenvolvido por sua fonoaudióloga. A despeito de todas as limitações impostas ele escreveu um livro – O Escafandro e a Borboleta (em que foi baseado o filme) – com a ajuda de uma pessoa que tomava nota das letras “piscadas”, onde conta algumas passagens de sua vida, explica o sentimento de se viver preso de seu próprio corpo e dá uma visão do mundo que criou para si mesmo dentro de sua cabeça para não perder as únicas coisas que lhe restaram intactas: sua memória e sua imaginação.

Cena do filme

Cena do filme

Não li o livro, mas sabia do que se tratava e já fui assistir ao filme sabendo que não passaria emocionalmente ilesa pela experiência. E, de fato, chorei e me emocionei, não pude evitar a sensação de angústia e sufocamento, a admiração, o tapa na cara.

A história de Jean-Dominique emociona por si mesma, mas não há dúvidas de que Julian Shnabel fez um trabalho de direção primoroso que, junto com a fotografia muito bem calculada de Janusz Kaminski, consegue colocar o espectador “dentro” do drama. Para transmitir o que poderiam ser as sensações de um paciente nestas condições foi adotado o recurso da câmera subjetiva, boa parte das cenas foi feita do ponto de vista do próprio Bauby, com visões entrecortadas e movimentos limitados. Os ângulos restritos destas visões, em contraste com cenas de vastas paisagens em tomadas abertas só faz aumentar a impressão claustrofóbica no hospital.

Cena do filme

Cena do filme

A atuação de Mathieu Amalric no papel do protagonista está irretocável, ele convence tanto nas cenas de antes, quanto nas de depois do AVC e ilustra de maneira ampla, quase chocante, as diferenças entre as duas fases da vida de Bauby. No mais, acrescento que nenhum dos coadjuvantes fica atrás, especialmente considerando o destaque e a importância que os atores ganham quando precisam “interagir” com a câmera em tantas cenas onde vemos o ponto de vista do paciente.

Forte, tocante, memorável. Se você ainda não assistiu, aviso que é um filme para ser assistido com o espírito preparado ou você correrá o risco de, como eu, passar por essa sensação de ter sido atropelado por um rolo compressor…

Escafandro e a Borboleta, O

Scaphandre et le Papillon, Le (França, 2007, 112 min.)

  • Direção: Julian Schnabel
  • Roteiro: Janusz Kaminski, Olivier Bériot, Ronald Harwood, baseado no livro de Jean-Dominique Bauby
  • Gênero: Biografia, Drama
  • Elenco Principal: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Olatz López Garmendia, Max von Sydow, Isaach De Bankolé
  • Avaliação: ★★★★☆

Trailer

Links interessantes #53

Móbile

E fazia tempo que eu não colocava um vídeo aqui na tag dos links interessantes, então lá vai: uma animação em stop-motion toda feita com… livros! :D

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